“Sextou” em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, e a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) concluiu a primeira semana de atividades na 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas no Combate à Desertificação (UNCCD). Nesta sexta-feira (21), os delegados da ASA participaram de quatro painéis e das reuniões com representantes da sociedade civil da América Latina e com povos e comunidades tradicionais.
Entre os temas debatidos estiveram nas pautas a importância das unidades de conservação como estratégias para o combate à desertificação; o protagonismo das juventudes latino-americanas na convivência com os semiáridos; o recaatingamento e a cooperação Sul-Sul para a restauração de terras secas; e o acesso à água e as experiências socioprodutivas contra a fome e a pobreza.
Juventude é inovação no território
No Pavilhão Brasil, espaço oficial coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), um dos destaques foi o painel “Juventudes restaurando territórios: incidência, convivência e adaptação nos semiáridos da América Latina”. A atividade foi promovida pela Plataforma Semiáridos da América Latina, com participações da ASA, Rede Latino-americana de Juventudes dos Semiáridos e EcoPerifa Lab.
De acordo com a coordenadora de comunicação da ASA, Fernanda Cruz, a mesa enfatizou como a permanência do jovem nos territórios rurais, sobretudo, os secos pode ser estratégica para a adaptação climática. Essa presença no campo, no entanto, precisa ser garantida por políticas públicas que assegurem todos os direitos como o acesso à água, terra e renda, mas também acesso à internet, ao teatro e ao cinema, por exemplo.
“O painel reafirmou que a juventude não é apenas sucessão rural, é inovação no território. Os jovens também reforçaram a mensagem que é preciso reconhecer a diversidade das juventudes e entender que sem eles não há agroecologia. Isso significa, portanto, que não são apenas pessoas encarregadas de preservar uma herança, mas de transformá-la em renda, alimento e estratégia de adaptação para o futuro”, afirmou Fernanda.
Para o jovem de Serra Talhada (PE), Sival Fiuza, o painel foi uma oportunidade importante para discutir sobre as regiões semiáridas a partir do que as juventudes vem construindo ao longo dos últimos ano por meio da Plataforma Semiáridos que não se limita ao Brasil.
“As formações contribuem para que essas juventudes se reconheçam, permaneçam e falem sobre o seu território. Que defendam as regiões semiáridas, não se limitando às fronteiras. Foi muito importante essa discussão para que outras pessoas também conseguissem entender o quê, de fato, a gente vem construindo com a presença de jovens de diferentes países”, disse Fiuza.

Recaatingamento une conhecimento popular e políticas públicas
Como África e América Latina podem colaborar na restauração das terras secas e fortalecer a resiliência climática? Foi tentando responder a essa pergunta, que a ASA esteve no painel “Etnocaatinga: recaatingamento, tecnologias sociais e cooperação Sul-Sul para restauração de terras secas na África e América Latina” conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A mesa-redonda realizada em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Semiárido e o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), apresentou a experiência da Caatinga como contribuição brasileira à cooperação Sul-Sul para o desafio da recuperação das floresta. O objetivo foi identificar conexões, metodologias e possibilidades de cooperação em restauração participativa, conservação de sementes, tecnologias sociais e desenvolvimento territorial.
“No Brasil temos conhecimento acumulado a partir de cada realidade do Semiárido e projetos e programas estruturantes que já inspiram outros territórios por meio de intercâmbios que mostram a potencialidade local e contribuem para a cooperação internacional”, destacou o técnico do Irpaa e membro do Grupo de Trabalho de Combate à Desertificação, Luís Almeida.

Acesso à água e proteção social
Para além de conservar o solo das regiões secas, o futuro do planeta passa pela proteção das pessoas que vivem nesses territórios e essa salvaguarda começa com a garantia do direito básico de acesso à água. Foi a partir dessa premissa que a delegação da ASA participou do painel “Acesso à água, inclusão socioprodutiva e resiliência no combate à desertificação: experiências da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e de outros parceiros”.
A atividade foi organizada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil (MDS) no âmbito de discussões internacionais climáticas e de combate à desertificação. Com foco nas soluções para a promoção da segurança alimentar em áreas vulneráveis à seca e à desertificação, o painel apresentou práticas escaláveis — a exemplo das tecnologias sociais de Convivência com o Semiárido — com parceria entre governos e redes da sociedade civil.
“O acesso à água tem papel central nessa discussão de adaptação climática, de resiliência e da promoção de processos para que as pessoas permaneçam nos seus locais. Foi uma oportunidade muito interessante de a gente poder compartilhar essa política pública [o Programa Cisternas] e mostrar para o mundo o quanto é importante para o Brasil e o quanto pode se tornar importante para outras regiões que venham a ter processos de seca parecidos com os nossos”, declarou o coordenador do Programa Cisternas no MDS, Victor Santana.
Sociedade civil, povos indígenas e comunidades tradicionais
Ainda no Pavilhão Brasil, representantes da sociedade civil da América Latina se reunirão para avaliar a primeira semana da COP17 e olhar para a semana seguinte e de encerramento da Conferência. Segundo a coordenadora executiva da ASA presente na delegação, Ivi Dantas, o encontro foi importante para dar visibilidade a agenda de debates voltada para o fortalecimento da Convivência com o Semiárido e a restauração de terras secas.
Um dia após Indígenas de diferentes partes do mundo protestarem por mais participação nas negociações oficiais da COP17, representantes dos povos originários e comunidades tradicionais se reuniram para debater as ações de combate à desertificação.
Os grupos lembraram que as políticas públicas exitosas no Brasil foram construídas a partir da escutas dos povos indígenas e comunidades tradicionais e, por isso, é fundamental que as conversas na Conferência considere essas vozes.
Confira a agenda da ASA para a última semana da COP17:







