Equipes técnicas do Programa Um Milhão de Tetos Solares (P1MTS), da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), participam a partir desta quarta-feira (2) da Oficina de Construção de Diagnósticos. A capacitação acontece na sede da ONG Chapada, em Araripina (PE), e marca uma nova etapa do projeto que visa promover uma transição energética justa para 400 famílias rurais.
A Oficina de Construção de Diagnósticos tem o objetivo de preparar técnicas e técnicos do Chapada, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha e do Polo da Borborema para gerar dados estratégicos sobre as famílias aptas a receber os sistemas de energia solar. As mini usinas poderão ser do tipo off grid – funcionam de forma independente da rede elétrica e sem armazenamento da energia gerada – ou on grid, ou seja, conectados à rede elétrica nos territórios.
De acordo com a metodologia inspirada no Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), as equipes, em diálogo com os agricultores, mapearão a realidade das propriedades. Essa análise detalhada da área onde a família vive inclui o espaço de moradia, o solo, e também as atividades desenvolvidas no local, como o cultivo de plantas e a criação de animais.
Assim, será possível identificar os pontos fortes da propriedade e os principais desafios climáticos ou estruturais que ajudarão a definir qual o melhor modelo de produção de energia fotovoltaica.

Teoria e prática
Para ajudar os técnicos e as técnicas a gerar essas informações qualitativas, a Oficina de Construção de Diagnósticos do P1MTS terá um primeiro momento teórico com uma imersão nos fundamentos metodológicos de todo processo e com a apresentação do questionário e da plataforma Kobo, que coleta, gerencia e visualiza dados. Na quinta-feira (3), os participantes vão a campo colocar em prática o que aprenderam no dia anterior.
“Esse momento do diagnóstico a gente está chamando de ‘Tempo Zero’, porque esse processo vai acontecer antes de a família receber as placas de energia solar. Aí mais perto do final do projeto, depois do monitoramento, vamos realizar o ‘Tempo Um’, ou seja, outra visita de diagnóstico para saber quais foram os impactos da tecnologia na vida dessas pessoas”, explica o coordenador do P1MTS, Giovanne Xenofonte.
Ainda durante a Oficina de Construção de Diagnósticos, serão apresentadas as bases do estudo de mercado social e a modelagem jurídica, organizacional e operacional das escolas-fábrica. Conforme a proposta do P1MTS, além de beneficiar famílias rurais com sistemas de energia solar, o programa da ASA irá construir escolas para a formação de eletricistas responsáveis pela montagem e manutenção das placas fotovoltaicas.
Além de Araripina, receberão escolas-fábricas os municípios de Esperança, na Paraíba; Porteirinha, em Minas Gerais; e Pedro II, no Piauí.
Confira a programação completa:
Quarta-feira (02/09)
- 8h30 — Dinâmica de acolhida, acordo de convivência e apresentação da programação
- 9h — Apresentação dos objetivos da oficina
- 9h15 — Fundamentação teórica e metodológica do Diagnóstico de Agroecossistemas
- 10h15 — Bases do Estudo de Mercado Social, Modelagem Jurídica, Organizacional e Operacional das Escolas-Fábricas | Responsável: Aerton
- 12h — Intervalo para Almoço
- 14h — Apresentação do Instrumental (Questionário de Diagnóstico e plataforma Kobo)
- 15h — Esclarecimento de dúvidas sobre o Diagnóstico e Estudo de Mercado
- 16h — Lanche
- 16h15 — Orientações para a visita de campo do dia seguinte | Responsável: Tales
Quinta-feira (03/09)
- 8h — Visita de campo para aplicação do diagnóstico em propriedades rurais (divisão em 2 grupos)
- 12h — Intervalo para Almoço
- 14h — Devolutiva dos grupos: relatos sobre a aplicação do questionário, facilidades e desafios | Responsável: Camila
- 16h — Lanche
- 16h — Ajustes nos procedimentos e na ferramenta de coleta
- 17h — Encaminhamentos finais e avaliação da oficina

Sobre o P1MTS
O P1MTS é uma iniciativa inédita de produção democrática de energia fotovoltaica inspirada na experiência da Escola Família Agrícola do Sertão e do Instituto i9Sol, em Monte Santo (BA). O programa — lançado em março durante a 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, na Paraíba — une formação profissionalizante, empreendedorismo social e preservação do meio ambiente.
O programa é executado pelas organizações da ASA em parceria com a Fundação Banco do Brasil nos estados de Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco, com um investimento de R$ 8,9 milhões.
O P1MTS também vai contemplar famílias da Região dos Cocais, no Piauí. Lá o programa será implementado pela Obra Kolping com apoio da Cáritas Francesa e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O contrato é de R$ 1,5 milhão.
Atualmente, 350 jovens estão inscritos no curso “Introdução em Energia Fotovoltaica – Sistemas isolados e conectados à rede”. As aulas acontecem duas vezes por semana na modalidade de ensino a distância (EaD) com acompanhamento de tutores.


