Programa Um Milhão de Tetos Solares estreia curso para eletricistas com foco em mulheres e jovens da Caatinga

Iniciativa da ASA em parceria com o Instituto I9Sol e apoio da AFD, Cáritas Francesa e Fundação BB vai impactar diretamente 350 pessoas

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Kleber Nunes | ASACom

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) deu mais um passo importante rumo à construção de um novo modelo de geração, consumo e comercialização das energias renováveis. Por meio do Programa Um Milhão de Tetos Solares (P1MTS), a rede realizou, na terça (30), a aula inaugural do curso “Introdução em Energia Fotovoltaica – Sistemas isolados e conectados à rede”. 

O P1MTS é uma iniciativa da ASA realizada em parceria com o Instituto I9Sol e tem apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Cáritas Francesa e Fundação Banco do Brasil. A proposta une formação profissionalizante, empreendedorismo social e preservação do meio ambiente a partir da implantação das escolas-fábrica solares e a instalação de sistemas fotovoltaicos unifamiliares e comunitários. Ao todo serão investidos R$ 10,4 milhões nesta “Fase 1” do programa.

Para o coordenador executivo da ASA e uma das mais de 250 pessoas presentes na aula inaugural do curso para agentes jovens eletricistas, Cícero Félix, o P1MTS é revolucionário e o início da capacitação representa um marco histórico para a Articulação e também para todos os semiáridos do planeta. 

“Que bom que essa revolução tem como principais protagonistas as juventudes e, principalmente, as mulheres. Há mais de 20 anos, começamos a enfrentar a negação do direito à água para viver. Agora estamos enfrentando um desafio muito maior, que é o da geração, produção, do consumo e da comercialização da energia. O sol é a nossa principal riqueza e ninguém vai nos tirar isso”, afirmou emocionado.

Aula inaugural do curso Introdução em Energia Fotovoltaica – Sistemas isolados e conectados à rede

A coordenadora executiva da ASA e representante da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, Roselita Vitor, lembrou do protagonismo feminino nas frentes de resistência aos grandes projetos de energias renováveis que têm devastado a Caatinga. Para ela, o P1MTS – assim como os demais projetos da ASA – vai além da implantação de uma tecnologia e entra de vez na disputa por um novo modelo de produção energética.

“A Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia há sete anos vem denunciando os impactos dessa energia que tem tirado a vida de muitas famílias nos territórios. Por isso, esse é um momento de muita esperança e muita alegria para nós, porque estamos dizendo que é possível produzir energia descentralizada sem tirar as pessoas do seu território e sem ter que desmatar a Caatinga, que faz parte da nossa convivência”, destacou. 

Como será o curso?

O caminho até a energia verdadeiramente limpa chegar na casa das famílias do Semiárido começa com a capacitação gratuita de 300 jovens de Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco. O grupo conta ainda com mais 50 participantes do Projeto Dom Helder residentes na Bahia, Ceará, Paraíba e Piauí.

Os alunos serão divididos em duas turmas que terão aulas síncronas na modalidade de ensino à distância com duração de 1h30, nas segundas e quartas, e nas terças e quintas, por meio do Google Meet.

As alunas e os alunos contarão com suporte da plataforma de ensino da i9Sol, acesso às aulas gravadas no canal da ASA no YouTube, acompanhamento de tutores via WhatsApp. Os concluintes serão certificados pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Ao todo, o curso de Introdução em Energia Fotovoltaica – Sistemas isolados e conectados à rede terá 30 horas/aula.

“Na história da humanidade sabemos que alguns bens universais foram apropriados pelo Capital, a energia é um deles. Nesse curso, vamos conhecer os mínimos detalhes do que é esse bem de uma forma que todo mundo possa participar se apropriando dos conhecimentos necessários. Depois dessa etapa, vamos chegar na fase da escola-fábrica solar, que é um ambiente físico com aulas presenciais, para fazer energia com as próprias mãos”, explicou o presidente do i9Sol, Villi Seilert.

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De acordo com a ementa do curso do P1MTS para jovens agentes eletricistas, esta etapa será dividida em três módulos: Teoria e conceitos fundamentais de energia fotovoltaica, Laboratório de sistemas fotovoltaicos e Economia e negócios sociais e colaborativos com energia fotovoltaica.

“A gente vai falar sobre soberania de territórios, produção, garantias de direitos e salvaguardas, ou seja, tem uma jornada pela frente. Nós não estamos empenhados em fazer apenas um bom curso, em implementar unidades de escolas-fábricas, a gente está realmente construindo o Programa Um Milhão de Tetos Solares”, explicou o gestor socioambiental do i9Sol e professor do curso, Rafael Freire.

Para o professor da UFRPE Genival Barros Júnior, o curso do P1TMS dialoga com este momento de emergência climática que o mundo atravessa. “A gente começa a dar autonomia às famílias do Semiárido que poderão depender menos da matriz das hidrelétricas. Então é uma honra para a nossa universidade certificar [esse curso] por meio de um termo de cooperação técnica com a ASA”, declarou.

P1MTS no Piauí

O P1MTS também vai contemplar 100 famílias da Região dos Cocais, no Piauí. Lá o programa será implementado pela Obra Kolping, organização da ASA no estado, com apoio da Cáritas Francesa e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O contrato é de quatro anos e investimento de R$ 1,5 milhão.

Assim como a parceria com a FBB, o projeto no Semiárido piauiense vai priorizar mulheres e jovens, sobretudo, os que integram povos e comunidades tradicionais, com a construção de uma escola-fábrica e a implantação de sistemas familiares de energia.

Segundo o coordenador do P1MTS, Giovanne Xenofonte, estão sendo feitos os diálogos necessários no Piauí e, em breve, será elaborado um cronograma para execução do programa no estado.

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