ASA e Fundação BB lançam Programa Um Milhão de Tetos Solares na 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia
Com investimento de quase R$ 9 mi, P1MTS irá implantar escolas-fábricas para produção de painéis fotovoltaicos e geração de energia descentralizada no Semiárido
Kleber Nunes | ASACom
A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e a Fundação Banco do Brasil lançam, na próxima quinta-feira (12), o Programa Um Milhão de Tetos Solares (P1MTS). A novidade será apresentada durante a 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que começa às 8h, no centro da cidade de Remígio (PB), a 141 quilômetros de João Pessoa.
Na ocasião, a coordenadora executiva da ASA, Rejane Silva, e o diretor executivo da Fundação BB, Gilson Lima, irão formalizar a parceria que prevê um investimento de R$ 8,9 milhões. O ato está previsto para às 11h15, logo após a caminhada das mulheres.
“Estamos lançando o Programa Um Milhão de Tetos Solares na 17ª Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia porque a marcha simboliza a luta e a resistência das mulheres, e esse programa se dedica à valorização delas. Hoje, a energia é concentrada, e nossa proposta é promover a descentralização, assegurando que as famílias do Semiárido tenham acesso à energia de qualidade e possam gerar sua própria energia”, afirma Rejane.

O novo programa
O P1MTS é uma iniciativa inédita de produção democrática de energia fotovoltaica inspirada na experiência da Escola Família Agrícola do Sertão e do Instituto i9Sol, em Monte Santo (BA). O programa — aprovado no X Encontro Nacional da ASA (EnconASA) — une formação profissionalizante, empreendedorismo social e preservação do meio ambiente.
O diretor executivo da Fundação BB, Gilson Lima, acredita profundamente no valor transformador dessa proposta, inspirada em experiências exitosas de educação e empreendedorismo social no Semiárido.
“Ela demonstra que é possível avançar na transição energética respeitando territórios, tradições e modos de vida — especialmente de mulheres, povos originários e comunidades tradicionais que têm sido guardiãs incansáveis da proteção ambiental e da vida no campo”, ressalta Lima.
Nesta, que está sendo chamada de “Fase 1” do programa, além do estado paraibano, as ações serão concentradas também em Minas Gerais e em Pernambuco, beneficiando diretamente 300 famílias rurais. Em cada território, uma organização da sociedade civil da Rede ASA (ver tabela abaixo), com apoio da Fundação BB, ficará responsável por executar o P1MTS em 18 meses.
As entidades realizarão a seleção e o cadastramento das famílias, a implantação das escolas-fábrica solares e, por fim, a instalação dos sistemas fotovoltaicos. Caberá ainda às organizações sociais a elaboração de estudos de viabilidade para a entrada dos beneficiários do programa no mercado de energia para comercializar o excedente produzido.

De acordo com o coordenador do P1MTS, Giovanne Xenofonte, o programa irá oferecer um curso gratuito de formação de eletricista, na modalidade de ensino à distância (EaD), para 60 jovens das comunidades beneficiadas nesta primeira fase do projeto. Desse grupo, 20 de cada território serão selecionados para a etapa presencial da capacitação que acontecerá nas escolas-fábrica, onde os educandos produzirão os painéis de energia solar.
As placas serão instaladas em sistemas unifamiliares que funcionarão de forma independente da rede de energia elétrica (off-grid) para bombeamento de água e beneficiamento de alimentos. Os equipamentos também serão destinados à construção de mini usinas com potência nominal instalada de 25 kWp que garantirão o funcionamento das fábricas-escola.
Outra frente do P1MTS será a compra de painéis solares certificados para a implantação dos sistemas on-grid, ou seja, conectados à rede elétrica nos territórios. Cada família receberá de quatro a seis painéis solares de 2,20m x 2,30m com capacidade de cerca de 550 Watts/painel, além de inversor de 3 kW.
“O modelo atual das energias renováveis está na concentração em grandes empresas com impactos sociais e ambientais gigantescos. A gente traz para o debate a produção de maneira descentralizada por meio das comunidades que estão no Semiárido para gerar sua própria energia e distribuir para as famílias agricultoras, afirma Xenofonte.
P1MTS no Piauí
O P1MTS também vai contemplar 100 famílias da Região dos Cocais, no Piauí. Lá o programa será implementado pela Obra Kolping, organização da ASA no estado, com apoio da Cáritas Francesa e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O contrato é de quatro anos e investimento de R$ 1,5 milhão.
Assim como a parceria com a FBB, o projeto no Semiárido piauiense vai priorizar mulheres e jovens, sobretudo, os que integram povos e comunidades tradicionais, com a construção de uma escola-fábrica e a implantação de sistemas familiares de energia.
Programa Um Milhão de Tetos Solares (P1MTS)
Parceria: ASA e Fundação BB – Investimento: R$ 8,9 milhões
Parceria: ASA, Cáritas Francesa e AfD – Investimento: R$ 1,5 milhão
| UF | ORGANIZAÇÃO | FAMÍLIAS ATENDIDAS | JOVENS ATENDIDOS |
| Minas Gerais | STR Porteirinha | 100 | 20 |
| Paraíba | Polo Sindical | 100 | 20 |
| Pernambuco | ONG Chapada | 100 | 20 |
| Piauí | Obra Kolping | 100 | 25 |
Sobre a Fundação Banco do Brasil
Há 40 anos, a Fundação Banco do Brasil busca inspirar cada brasileiro a se tornar um agente de transformação da sociedade. A instituição acredita na força do coletivo para encontrar soluções viáveis na superação dos desafios e promoção do desenvolvimento sustentável, sendo uma das principais gestoras dos projetos socioambientais apoiados por meio do Investimento Social Privado – ISP do BB e de parceiros. Nos últimos 10 anos, foram investidos R$ 2,7 bilhões em 10 mil iniciativas que impactaram positivamente a vida de 6,8 milhões de pessoas de 3.400 municípios.



Boa tarde. Moro em Ribeirão Preto SP. Incrível essa iniciativa de geração de energia. Futuramente existe algum projeto em estender para outros estados?
Obrigada pela atenção.
estender para outros estados,
Oi Susan, esperamos e trabalhos para que sim!
A questão de possíveis incômodos e danos provocados pelo alegado ruído e vibrações no funcionamento das turbinas eólicas e possíveis danos materiais de pessoas que moram nas proximidades dessas turbinas precisa ser estudada com medições objetivas (do ruído e outros inconvenientes) e isenção científica. A mídia limita-se a entrevistar quem se considera prejudicado pela proximidade das turbinas: tendencioso e parcial. Mesmo não havendo pesquisas, os técnicos e cientistas precisam ter oportunidade de apresentar sua percepção da questão.
Oi Fernando, existem algumas pesquisas já em andamento e, inclusive com resultados publicados. Te enviamos aqui um link de um estudo conduzido pela Fiocruz. https://fiocruz.br/noticia/2025/01/pesquisadores-analisam-impactos-da-sindrome-da-turbina-eolica