O Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido irá elaborar um plano de ação em defesa da Caatinga e da vida das famílias do Assentamento Residência, em Piripiri (PI). O território está sendo impactado pela extração de ferro, que provoca – entre outros efeitos nocivos – desmatamento, empobrecimento do solo, contaminação das fontes de água e poluição sonora.
Embora o assentamento tenha sido criado oficialmente há apenas cinco anos, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a área é ocupada por muitas famílias desde a década de 1990. O temor das moradoras e dos moradores é que, após anos de luta pela posse da terra e pela preservação ambiental, a agrovila onde vivem e produzem venha a desaparecer.
Na área existem escolas, estruturas de produção e um prédio onde antes funcionavam uma escola, uma igreja e uma quadra poliesportiva. Na agrovila também há tecnologias sociais de segurança hídrica como, por exemplo, cisternas para consumo humano e abastecimento escolar, e barreiro-trincheira.
Segundo a comunidade, das 41 famílias que viviam no assentamento ou em outras áreas próximas da mineradora, 11 tiveram que deixar o local após o início das atividades de extração do ferro.


“Eu sempre morei aqui e nunca fiquei feliz com a mineradora. Ela trouxe muito impacto, muita poeira. A gente não se sente mais bem. Não criamos mais nossos animais como criávamos antes. Os olhos d’água e as fontes que existiam já não temos mais esse privilégio. A gente tem medo de tomar banho no rio com medo de a água estar contaminada”, afirma Solimar de Sousa, que mora a cerca de 200 metros da mina.
O depoimento da agricultora foi um dos muitos relatos ouvidos pelos integrantes do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, em visita ao Assentamento Residência, na última segunda-feira (11). O momento de escuta mobilizado pela comunidade foi acompanhado pelo ouvidor-geral da Defensoria Pública do Estado do Piauí, Thiago Rodrigues.
De acordo com a coordenadora do Fórum e coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Rejane Silva, a visita à agrovila foi muito importante para ver e ouvir sobre os impactos da mineração na comunidade. “Foi um momento de escuta muito positivo, para entender, compreender e, a partir disso, pensar em estratégias e ações que possam melhorar ainda mais a vida das pessoas que vivem aqui”, explica.
O próximo passo, segundo Rejane, será a sistematização dos impactos causados pela mineradora. A expectativa é de que esse levantamento seja apresentado pelas famílias ao Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido, em uma nova reunião, que irá definir as estratégias da luta em defesa do Assentamento Residência.


