A programação oficial da 17ª Conferência das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas no Combate à Desertificação (UNCCD) só começa nesta segunda-feira (17), mas ontem (16), a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) participou da reunião das organizações da sociedade civil creditadas à UNCCD.
O objetivo do momento, realizado em Ulaanbaatar, na Mongólia, foi integrar as organizações que vieram de todo o mundo, orientar sobre o funcionamento da COP e sobre como se dará a participação desse grupo nos diversos espaços, além de discutir como é possível incidir nos documentos resultantes da Conferência.
Conduzida sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança.”, a COP17 da UNCCD tem como objetivo pactuar ações emergenciais para reverter a degradação da terra, problema grave que atinge cerca de 40% das superfícies do planeta.
Durante a reunião da sociedade civil, Ivi Aliana, da coordenação da ASA, destacou a importância de pautar, além do acesso à água, a necessidade de regulamentação dos financiamentos privados, sobretudo os que são relacionados ao crédito de carbono. Ela também defendeu a importância de visibilizar os diversos povos e saberes ligados à criação animal, tema desta COP, reconhecendo as especificidades locais.
Entre os tópicos apresentados como estratégicos para a sociedade civil estão: secas, gênero, posse da terra, transição agroecológica, povos indígenas e comunidades tradicionais, criação de pequenos animais (pastoralismo) e o conhecimento científico.

Segundo a secretária-executiva da UNCCD, Yasmina Fouad, “esta é a COP da implementação”. Fouad faz referência aos acordos da última Conferência, realizada na Arábia Saudita há 2 anos. Para ela, a sociedade civil tem muito a contribuir com o debate, compartilhando o que pode ser feito e quando. “As suas vozes importam e as soluções precisam ser colocadas na mesa”, defendeu Yasmina.
ASA na COP17
Com o mote “Semiárido brasileiro, onde as soluções climáticas já florescem”, a ASA integrará painéis estratégicos e sessões da sociedade civil global tanto na Blue Zone (área oficial e restrita, onde acontecem as negociações governamentais e reuniões de líderes), quanto no Pavilhão Brasil.
O objetivo da participação da ASA será visibilizar, sobretudo, a Caatinga e sua capacidade de resiliência climática, além de apresentar soluções práticas e escaláveis construídas a partir do conhecimento dos povos do território de atuação da Rede – interior do Nordeste e norte de Minas Gerais.


