O atual modelo de desenvolvimento vigente no país já mostrou os seus limites e os graves problemas sociais, ambientais e de saúde que traz no seu bojo. O agronegócio é um dos grandes vilões nesse modelo de desenvolvimento, pois o seu avanço contribui para a concentração de terras e a privatização da água, além de colocar o Brasil no ranking dos países que mais consomem agrotóxicos no mundo. Para se contrapor à forma ambientalmente insustentável e socialmente injusta como o agronegócio funciona, vem ganhando força e visibilidade as iniciativas de prática agroecológica em várias regiões do país. No entanto, apesar dos avanços que já podem ser observados, são vários os desafios para trilhar os caminhos de uma transição agroeocológica.
No Rio Grande do Norte, o tema da agroecologia e a reflexão sobre o processo de transição chamou a atenção do estudante Márcio Azevedo Pinheiro, que está concluindo o curso de agronomia na Universidade Federal Regional do Semiárido (Ufersa). Ele decidiu realizar seu estágio em áreas de assentamentos rurais, buscando analisar os avanços e os desafios do processo de transição agroecológica nessas comunidades.
Os instrumentos metodológicos adotados no estudo foram visitas às comunidades rurais, entrevistas com agricultores, agricultoras e técnicos envolvidos no acompanhamento das experiências agroecológicas e participação em atividades sobre Agroecologia que foram promovidas pela Cooperativa Techne e pela Rede Pardal.
Ao analisar a história de vida dos agricultores e agricultoras, constatou-se que durante muito tempo, antes de irem viver no assentamento, essas pessoas trabalhavam como arrendatários ou meeiros em terras alheias. Também ficou evidente que o conhecimento sobre o plantio sempre foi repassado de geração em geração.
Quanto aos aspectos técnicos, verificou-se que existe um avanço no que diz respeito à prática agroecológica, pois é feita a rotação de culturas, a plantação diversificada e a utilização de esterco de animais criados pelos próprios agricultores para adubar e fazer compostagem.
Entre os desafios e limites para a transição agroecológica, destaca-se a dificuldade em adquirir e/ou produzir sementes agroecológicas de hortaliças. Outro grande entrave são as políticas de governo, que atuam na mesma lógica do agronegócio e de implementação dos pacotes tecnológicos daquilo que se considera a “Nova Revolução Verde”.
Além disso, o perfil dos engenheiros agrônomos formados pelas universidades é de profissionais que têm, como horizonte, trabalhar para a monocultura e produção em larga escala para a exportação.
Esses são alguns dos resultados encontrados no estudo, que pode ser lido na íntegra na página eletrônica da Techne – www.techne.org.br.


