O Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas Gerais (CAA-NM), o Centro Regional de Assessoria e Capacitação (Cerac), do Piauí, e a Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa (Coopcam), de Alagoas, venceram a segunda edição do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade. As organizações sociais que integram a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) receberão R$ 50 mil cada.
A premiação é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios (FNRB) que destaca as organizações que mantêm vivos saberes, práticas e modos de vida essenciais para a conservação da biodiversidade e para a construção de um futuro mais justo e sustentável. Ao todo, na edição deste ano, 50 entidades foram premiadas entre as mais de 200 concorrentes.
De acordo com o MMA, o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade é dividido em quatro segmentos: Indígenas; Quilombolas; Agricultores Tradicionais; e Povos e Comunidades Tradicionais. As organizações foram avaliadas quanto ao protagonismo local e relevância do trabalho na defesa dos territórios e dos modos de vida tradicionais; à conservação ambiental com práticas que integram a proteção da biodiversidade, regeneração da natureza e ação climática; e à transmissão de saberes.

Reconhecimento
O Cerac e a Coopcam foram contempladas com o prêmio na categoria “Agricultores tradicionais”, que reconhece as organizações dedicadas à promoção, proteção e valorização dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade brasileira e à agricultura sustentável. A instituição do Piauí ficou em segundo lugar e a entidade alagoana em quarto.
Já o CAA-NM conquistou o prêmio ficando em oitavo lugar no segmento “Povos e Comunidades tradicionais”. Nessa categoria, são laureadas as ações que visam fortalecer os guardiões dos biomas cujos modos de vida estão diretamente ligados à conservação ambiental e à transmissão de saberes ancestrais.
Para o guardião de sementes crioulas e um dos fundadores do Cerac, José Maria Saraiva, vencer o prêmio é um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido há mais de duas décadas. “O resultado evidencia a relevância das ações do Cerac na promoção da sociobiodiversidade, especialmente na preservação e multiplicação das ‘Sementes da Fartura’, patrimônio fundamental da agricultura familiar”, afirma.
Segundo José Maria, o recurso do prêmio será investido na melhoria da Escolinha de Agroecologia e no início da construção do Centro de Pesquisa e Multiplicação das Sementes da Fartura, no Assentamento Pedra Branca, em Pedro II (PI).

Orgulho
Para o coordenador executivo da ASA Brasil pelo estado de Minas Gerais, Valmir Macedo, a conquista do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade evidencia o comprometimento da Rede com a defesa da sociobiodiversidade e a atuação incansável da luta coletiva para a manutenção da vida no Semiárido brasileiro.
“Os biomas são espaços de recursos naturais abundantes, de fauna e flora, territórios de gente rica de conhecimentos, de culturas, de fazeres e de bem viver. Nesse ambiente e percurso, os desafios e ameaças também são bastante consideráveis. E é por isso, que cada vitória precisa ser muito comemorada. A ASA se orgulha pela conquista de organizações de sua base em Alagoas (Coopcam), Minas (CAA) e no Piauí (Cerac)”, diz.
Cerimônia
A cerimônia de entrega do 2º Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade será no próximo dia 17, na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília. A solenidade será transmitida ao vivo pelo canal do MMA no YouTube a partir das 14h.
Para o MMA, o ato também vai celebrar o crescimento do FNRB e a consolidação do prêmio como um instrumento concreto de valorização da diversidade cultural e ecológica do país, promovendo a justiça socioambiental e o reconhecimento dos verdadeiros guardiões da natureza brasileira.


