A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) participa, a partir desta segunda-feira (31), do Fórum de Sistemas Alimentares da África, em Kigali, capital de Ruanda. O evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Global Landscapes Forum (GLF) e pelo Sistema CGIAR tem como tema “Investindo nos Sistemas Agroalimentares da África: Nutrir Nações, Gerar Empregos, Construir Resiliência”.
Diante de líderes de governos, representantes de organismos internacionais, do setor privado e da sociedade civil, além de investidores e agricultores, a ASA vai apresentar como as cisternas de placa contribuem para a segurança e a soberania alimentar no Semiárido brasileiro. O objetivo é fortalecer a cooperação Sul-Sul voltada para a adaptação climática e incentivar políticas públicas que promovam a transformação agroecológica e o abastecimento no continente africano.
A experiência de Convivência com o Semiárido estará no centro dos debates já no primeiro dia do Fórum de Sistemas Alimentares da África no evento “Acesso à água, sistemas agroalimentares e resiliência”, organizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A atividade será realizada às 13h30 horário local (8h30 pelo horário de Brasília).

A agricultora e integrante da Rede de Jovens Agricultores Familiares da ASA Paraíba, Adailma Ezequiel, representará a Rede no painel “O papel das comunidades locais na construção da resiliência”. “Vou apresentar a minha vivência de mulher jovem que conquistou as cisternas e explicar o quanto essas tecnologias são importantes, pois vão além da água e significam acesso à comida de verdade e à cidadania”, afirma.
Adailma tem 36 anos e pelo menos durante metade da sua vida, na zona rural de Queimadas (PB), conviveu com as consequências da escassez de água, como dividir o tempo entre estudar e caminhar mais de uma hora por dia com baldes na cabeça. Essa realidade começou a mudar em 2012 com a conquista da cisterna de 16 mil litros para consumo humano, e em 2013 com o reservatório de 52 mil litros destinado à produção de alimentos do Programa Cisternas, parceria do MDS com a ASA.
Hoje, em uma propriedade de 9 hectares no território do Polo da Borborema, Adailma e a família cultivam o ano todo uma variedade de alimentos, como milho, feijão, macaxeira, tomate, abacate e hortaliças. Com base nos princípios da agroecologia, que primam pela diversidade de agroecossistemas, os agricultores também criam gado, ovelha, porco e galinha.
“A cisterna possibilitou para minha família ter água e uma alimentação saudável, mas não só isso, com ela veio a formação para o nosso ser político. Hoje, por exemplo, estou na diretoria de um sindicato, faço parte de uma rede de juventudes e participo da ASA. Levar isso para outros países é muito importante porque não vamos discutir sobre planos que podem ser feitos, quem vai falar é alguém que vivenciou muitas dificuldades com a seca, mas com água potável do lado de casa a realidade passou a ser muito diferente”, explica.
Além de Adailma, participarão do painel o secretário executivo da Rede de Organizações Camponesas e de Produtores Agrícolas da África Ocidental (ROPPA), Ousseini Ouedraogo, e o assistente de cooperação técnica da Embaixada do Brasil no Quênia, Johnstone Katuta Katua. O coordenador sênior de programas do Centro de Coordenação dos Sistemas Alimentares das Nações Unidas, Khaled Eltaweel, será o moderador.
“Minha expectativa para conhecer outras histórias é imensa. Além de mostrar nossas experiências exitosas para pessoas que talvez não conheçam a cisterna, espero também aprender outras boas práticas de convivência com os territórios. Sei que será uma grande oportunidade de intercâmbio de saberes”, diz Adailma.
O Fórum de Sistemas Alimentares da África seguirá até sexta-feira (4) e deverá reunir cerca de 5.000 delegados de mais de 50 países. Durante os quatro dias de evento, serão mais de 220 atividades entre painéis, mesas de negociação e feira gastronômica.


