Oficinas de Sistematização e Comunicação Popular fortalecem o olhar sensível sobre o Semiárido 

Comunicadores e comunicadoras de todo o Semiárido participaram das Oficinas de Sistematização e Comunicação Popular da ASA, fortalecendo a troca de saberes, a sistematização de experiências e a comunicação nos territórios.

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Sistematizar experiências do Semiárido não é uma tarefa simples. Nesse processo, é necessário sensibilidade e compromisso político.  Um olhar atento e, sobretudo, insubordinado, como propõe Eliane Brum, jornalista e escritora, em A Vida que Ninguém Vê. Ou seja: enxergar para além do óbvio, olhar com todos os sentidos, percebendo o que muitas vezes passa despercebido.

Contar histórias de pessoas, famílias e comunidades  de uma região que, ao longo da história, foram colocados no centro de narrativas de miséria requer uma responsabilidade e sensibilidade para revelar, com respeito e profundidade, as riquezas presentes nos territórios. E, para isso, não precisamos ter formação superior ou uma especialidade. O mais importante é estar abertos a ouvir, livres de julgamento e treinar essas habilidades.

Foi com essa proposta que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) realizou um ciclo de sete Oficinas de Sistematização e Comunicação Popular envolvendo os 10 estados do Semiárido  com a participação de comunicadores e comunicadoras, coordenadores das organizações que executam os programas da ASA e representantes da coordenação executiva, em um movimento coletivo de aprendizado e troca de saberes.  

As oficinas aconteceram ao longo dos meses de maio e junho com o objetivo de fomentar a comunicação estratégica da ASA, incluindo um novo olhar para a prática da sistematização de experiências. A programação contou com análise de conjuntura, visitas a experiências, leituras, produções individuais e momentos de partilha.

“A oficina foi importante porque conseguiu ampliar o debate sobre os processos e as estratégias de comunicação que já acontecem nos territórios e, para além disso, permitiu trocar ideias e ampliar os nossos olhares, sobretudo, para o que não é dito, mas é sentido, numa perspectiva mais humana e horizontal, avalia Mariana Landim, comunicadora do Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe (Chapada), em Pernambuco.

Foto: Kleber Nunes

“Eu volto para o meu território com o compromisso de aplicar o conhecimento que eu adquiri, buscando fortalecer a comunicação que a gente tem. Valorizando as pessoas, as histórias e também as realidades das nossas comunidades.”, destaca Jade Sena, comunicadora da Cáritas Diocesana de Almenara, em Minas Gerais. 

Foi a partir do reconhecimento e da valorização da comunicação e da sistematização como metodologia da ASA que, mais uma vez, comunicadoras e comunicadores estiveram em roda, refletindo e treinando o olhar para contar histórias que ajudem a revelar a riqueza presente nas experiências de convivência com o Semiárido.

O Candeeiro – Desde o nascimento do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), em 2007, as sistematizações- chamadas de “O Candeeiro” – ocupam um lugar central na estratégia da construção do conhecimento e valorização do saber popular. Durante as oficinas, foi feita uma reflexão sobre os boletins e banners produzidos ao longo dessa trajetória e sobre a importância dessa trajetória para fortalecer a Convivência com o Semiárido, registrar memórias e inspirar novas experiências nos territórios.  

“Tem algo que é muito poderoso na convivência com o Semiárido, que é comunicar o que se faz e comunicar a partir dos sujeitos que fazem a convivência com o Semiárido. São tantas histórias protagonizadas pelas famílias, e trazer a comunicação para essa centralidade é falar desse Semiárido que brota dentro de cada um de nós, a cada dia, a cada luta que a gente faz” aponta Roselita Victor, integrante da coordenação executiva da ASA.  

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