Em Roma, ASA destaca o Programa Cisternas como referência global em combate à fome e adaptação climática

A agricultora e coordenadora executiva da ASA, Roselita Vitor enfatizou o sucesso da política pública brasileira no 54º Comitê de Segurança Alimentar Mundial

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A experiência da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), acumulada ao longo de mais de 25 anos na promoção do direito ao acesso à água e à comida de verdade, ganhou destaque nesta quarta-feira (21), durante o 54º Comitê de Segurança Alimentar Mundial, em Roma.

No encontro, que reúne governos e lideranças da sociedade civil do Sul Global, a ASA apresentou a principal estratégia de convivência dos povos do Semiárido no painel “Cisternas de captação de água da chuva no Brasil: acesso à água resiliente às mudanças climáticas para agricultura familiar e segurança alimentar”.

Representando a trajetória e as vozes do Semiárido, a agricultora, liderança do Polo da Borborema (PB), e coordenadora executiva da ASA, Roselita Vitor enfatizou que o sucesso do Programa Cisternas — política pública instituída pelo presidente Lula em 2003 — se deve ao protagonismo da sociedade civil na execução da ação em parceria com o governo brasileiro.

“É um patrimônio nosso essa relação tão importante e de papéis tão definidos entre sociedade civil e governo. Para mim, que falo do território que é o Semiárido brasileiro, isso tem um sabor muito especial por tudo o que a região viveu por muitos anos: a desigualdade social, a fome e a falta de água para questões básicas, como beber e cuidar da alimentação”, afirmou.

Roselita Vitor defendeu a universalização do acesso à água no Semiárido Brasileiro| Foto: Antônio Barbosa/ASA Brasil

Ainda de acordo com Roselita, o Programa Cisternas demonstra como tecnologias sociais de baixo custo e alto impacto vêm transformando realidades vulneráveis e se consolidando como referência global em resiliência climática e inclusão produtiva.

“Vemos o resultado disso nos números. A gente não consegue mais, no Semiárido brasileiro, ver pessoas morrendo de fome ou de sede por falta de água. Reconhecer essa realidade e assumir compromissos importantes é algo que temos conseguido fazer ao longo dessa trajetória”, disse.

Apesar das conquistas, Roselita apontou que a garantia plena dos direitos humanos no território ainda exige prioridade e continuidade nas políticas públicas, uma vez que cerca de 300 mil famílias no Semiárido ainda não têm acesso à água para consumo. “Portanto, avançarmos em políticas para universalizar a primeira água é um caminho fundamental”, defendeu.

Além de Roselita, o coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), Antônio Barbosa, também participa do 54º Comitê de Segurança Alimentar Mundial.

Alinhamento com a agenda global

A apresentação do Programa de Cisternas no evento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) contribuiu com os objetivos do Programa de Trabalho Plurianual do CFS (2024–2027). A experiência brasileira reforça o acesso à água como uma condição estruturante para a agricultura familiar, a resiliência climática e o direito humano à alimentação adequada.

O debate esteve alinhado a marcos internacionais recentes, como os desdobramentos do Fórum de Alto Nível sobre Mudanças Climáticas de 2025 e os compromissos assumidos na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a exemplo da “Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada no Ser Humano”.

O painel “Cisternas de captação de água da chuva no Brasil: acesso à água resiliente às mudanças climáticas para agricultura familiar e segurança alimentar” foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Assistência, Família e Combate à Fome (MDS), pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), pela Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, pela Academia Provincial de Ciências da Água da Província de Gansu e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA).

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