Após intercâmbio no Semiárido brasileiro, Quênia adotará cisternas de placas em mais de mil escolas

Representantes do país africano percorreram seis municípios de Pernambuco e testemunharam os impactos do Programa Cisternas

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Kleber Nunes | ASACom

Iniciativa protagonizada pela sociedade civil, o Programa Cisternas mais uma vez ultrapassa as fronteiras do Brasil e chega a novos territórios, levando qualidade de vida às populações mais vulneráveis. Dessa vez, a política pública instituída pelo Governo Federal em 2003 servirá de modelo para o Quênia, país do leste africano que tem mais de 80% do seu território considerado árido ou semiárido.

A implementação das cisternas de placas para captação de água de chuva em unidades familiares e escolas será integrada ao Programa Maji Plus. A iniciativa do governo queniano busca equipar mais de mil estabelecimentos de ensino com sistemas de coleta de água, energia solar e hortas comunitárias.

De acordo com o diretor do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, Renato Godinho, o lançamento do projeto-piloto e do mapa de implementação das cisternas ocorrerá em dezembro, em Nairóbi, capital do país africano.

“E o melhor de tudo: com cisternas começando a ser construídas nas escolas já a partir de dezembro e, depois, com mais força em janeiro, nessa fase-piloto que vai alcançar 30 unidades de ensino. Em seguida, com o financiamento em grande escala, a proposta é estender essa ação para 1.400 escolas do Quênia”, afirmou Godinho.

Intercâmbio

A escolha pela metodologia do Semiárido brasileiro, que une formação cidadã e tecnologia social de armazenamento de água, ocorreu após o “Intercâmbio de Experiências – Programa Cisternas e Tecnologias Sociais de Acesso à Água”, realizado de 5 a 9 deste mês, em Pernambuco. O evento reuniu representantes da Autoridade Nacional de Gestão da Seca do Quênia, dos Ministérios da Educação, do Trabalho e da Proteção Social, do Conselho Nacional de Educação Nomádica (NACONEK) e do Tesouro Nacional do país.

Pelo lado brasileiro, participaram representantes da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais (Aessin) e da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); membros do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (PMA); da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA); e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Durante a missão, os intercambistas percorreram seis municípios e conheceram experiências de famílias agricultoras e de uma escola impactadas pelo Programa Cisternas. Em cada visita, os quenianos tiveram a oportunidade de conhecer em detalhes todo o processo de implementação da política pública, desde os marcos normativos e institucionais até a gestão comunitária na ponta.

“Eu nasci e cresci no Semiárido queniano e aqui vi um clima bem semelhante ao de onde vim. Foi muito importante conhecer as soluções implementadas pelos parceiros brasileiros, como a ASA, a Cáritas e a Diaconia. Isso me deixou muito tranquilo, porque é algo que também poderá ser replicado no meu país”, declarou o assistente de cooperação técnica da Embaixada do Brasil em Nairóbi, Johnston Katua.

Na avaliação de Renato Godinho, o intercâmbio de experiências organizado pela ASA “foi o melhor exemplo em toda a minha carreira profissional de uma visita que gerou um impacto tremendo. Conversando com todos eles, percebemos um antes e um depois: há uma clareza absoluta de que as cisternas são a solução principal para resolver a falta de água nas escolas do Quênia.”

Para a coordenadora-geral de Assuntos Internacionais do MDS, Anna Carolina Machado, essa troca entre Brasil e Quênia, que culmina com a replicação do Programa Cisternas no continente africano, reforça a importância da cooperação Sul-Sul para a erradicação da pobreza e o combate à fome.

“Foi muito importante estar no território, ver a realização da política na prática e entender o impacto real que isso provoca na vida das famílias. Acredito que gerou nos quenianos um entendimento muito mais aplicado e prático, não só da construção da cisterna, mas de todo o envolvimento comunitário que traz um potencial transformador”, afirmou.

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