ASA celebra PAA Semiárido e reativação de casas e bancos de sementes crioulas

Financiado pelo Governo Lula, novo PAA fortalecerá a soberania alimentar e a agrobiodiversidade em nove estados do Semiárido

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Kleber Nunes | ASACom

Nesta sexta-feira (16), data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação, a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) também comemora o investimento de R$ 4,8 milhões do “PAA Semiárido”, uma modalidade inédita do Programa de Aquisição de Alimentos. A iniciativa tem como foco a promoção da soberania alimentar e a conservação do patrimônio genético da agricultura familiar por meio do fortalecimento e reabastecimento de casas e bancos comunitários de sementes.

O contrato firmado com o Governo Lula, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), garantirá a aquisição direta de sementes crioulas junto a famílias guardiãs, comunidades tradicionais, povos originários, quilombolas e assentados da reforma agrária. O PAA Semiárido será desenvolvido em nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Diagnóstico e retomada

De acordo com Cláudio Ribeiro, assessor de coordenação do Programa Sementes do Semiárido, a criação do PAA Semiárido é uma resposta direta ao diagnóstico inédito realizado pela ASA no âmbito do Projeto Redeser. Em 2025, um levantamento avaliativo mapeou 875 casas e bancos comunitários de sementes e revelou que 52% dessas infraestruturas estavam inativas.

Entre os fatores determinantes para a paralisação de mais da metade dos bancos de sementes estão os impactos da pandemia de Covid-19, longos períodos de estiagem, erosão genética, ausência de assistência técnica contínua e desmobilização comunitária.

Com a execução do PAA Semiárido, a ASA busca reverter esse quadro e marcar uma retomada estratégica da Rede Sementes do Semiárido. A meta é reativar a circulação comunitária de variedades adaptadas, garantindo a biodiversidade nos roçados e consolidando a convivência sustentável com o Semiárido.

“Nosso próximo passo é iniciar as contratações. A previsão é que isso aconteça agora em outubro com as instituições que já estiverem aptas em relação à documentação necessária porque já têm sementes colhidas para comercializar em pelo menos quatro estados: Bahia, Ceará, Paraíba e Sergipe”, explicou Ribeiro.

Biodiversidade e gestão comunitária

A estratégia do PAA Semiárido engloba a aquisição de uma grande diversidade de culturas tradicionais e crioulas, como milho, feijão (comum, macaçar, carioca e preto), fava, mandioca (maniva), abóbora, amendoim, arroz, sorgo, algodão, gergelim, girassol e hortaliças.

Além dos grãos e alimentos, o programa contempla mudas de espécies nativas indispensáveis para a Caatinga, como o licuri e o umbu, bem como espécies forrageiras e adubadeiras (como a palma e a gliricídia), fundamentais para a nutrição do rebanho e a recuperação do solo.

Segundo a proposta aprovada pela Conab, o PAA Semiárido será executado por organizações sociais respeitando rigorosamente as dinâmicas de gestão local. As sementes e mudas serão distribuídas e gerenciadas pelas próprias organizações comunitárias nos territórios onde já são manejadas. Com isso, a ação assegura a valorização das práticas tradicionais e estimula o consumo e a circulação local do patrimônio genético camponês.

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