ASA defende comunicação como estratégia de resiliência climática na COP17

A atividade é a continuidade de uma ação de incidência que a ASA vem construindo com apoio do MMA

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Helena Dias | ASACom

A decisão de conviver com a estiagem ao invés de combatê-la é um marco para o acesso à água no Semiárido brasileiro e também um nascedouro de possibilidades para um imaginário mais junto do território. Olhar, pensar e imaginar o Semiárido hoje é bem diferente do que 30 anos atrás e isso está intimamente ligado com o fazer da comunicação popular e suas narrativas.

O olhar que envidencia um território mais vivo e digno de se viver vem fortalecendo oportunidades de permanência das juventudes na região. E, na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (COP17) da UNCCD, em Ulaanbaatar, na Mongólia, foi possível perceber que isso acontece em outros semiáridos mundo afora.

Essa percepção ficou evidente no painel “Comunicação para resiliência climática”, realizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), no Pavilhão Brasil, na última semana de COP17, com a participação do diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do (MMA), Alexandre Pires, e da diretora executiva do Instituto Eco Nordeste, Maristela Crispim. 

Foram partilhadas experiências do Brasil, El Salvador e Uganda. A atividade é a continuidade de uma ação de incidência que a ASA vem construindo com apoio do MMA. Essa parceria  se transformou em um relatório de contribuição aos planos de comunicação das conferências da UNCCD. A mediação da mesa ficou com a coordenadora de Comunicação da ASA, Fernanda Cruz, que abriu o debate destacando o papel da comunicação para as juventudes dos territórios semiáridos do mundo.

Roda “A comunicação na estratégia de combate à desertificação no Semiárido brasileiro”
Roda “A comunicação na estratégia de combate à desertificação no Semiárido brasileiro”. Imagem: Reprodução do Zoom

“Estamos falando não só do que a gente constrói de narrativas para fora, mas sim o que fazemos internamente nos territórios. Como esses jovens se mobilizam a partir da comunicação e suas narrativas”, pontua Fernanda.

Para entender essas formas de mobilização, é preciso saber se direitos estão sendo garantidos nos territórios. A jovem da Rede Latino-Americana de Juventudes Semiáridas, Xenia Lopez, traz a dificuldade de acesso à informação e eletricidade na região do Corredor Seco de El Salvador. “Não temos rádio em nível local, existe apenas uma emissora, mas com cobertura em pontos muito específicos. O acesso à internet e à televisão pode ser complicado, já que há comunidades sem energia elétrica”, relata.

Mostrando murais pintados e produzidos com materiais que iriam para o descarte, Xenia também conta o que as juventudes têm feito por lá para superar os desafios de se comunicar. “Nós comunicamos as boas práticas feitas no território por meio da arte. Isso nos ajuda a promover a reconstrução dos espaços públicos tanto para as comunidades locais quanto para pessoas de fora”, explica.

Já a ambientalista e liderança jovem de Uganda, JulietGrace Luwedde, falou da importância de trabalhar com a geração de dados confiáveis sobre desertificação, gerar informação para combater a desinformação. Ela trouxe o exemplo a Drought Impact Assessment Platform (d-iap), uma ferramenta digital, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês) projetada para avaliar os impactos da seca na produtividade agrícola e no uso da água em cenários climáticos atuais e futuros, com a qual a própria JulietGrace tem trabalhado.

“Desenvolvemos como uma resposta técnica à seca. A ferramenta faz a avaliação de impactos da seca e é destinada a agricultores, formuladores de políticas, diversos tomadores de decisão e jovens como eu. Para que possamos compreender os impactos desse fenômeno e saber em que níveis a seca realmente ocorre”, afirma descrevendo a inovação. JulietGrace atua tanto em nível local quanto global, facilita diálogos sobre políticas públicas que conectam comunidades, tomadores de decisão e líderes emergentes.

Ação Pré-COP

Roda “A comunicação na estratégia de combate à desertificação no Semiárido brasileiro”
Roda “A comunicação na estratégia de combate à desertificação no Semiárido brasileiro”. Imagem: Reprodução do Zoom

O painel no Pavilhão Brasil da COP 17 não foi a única mobilização feita pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) em torno da temática da comunicação como estratégia de combate à desertificação. No início de agosto, com apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e parceria com o Instituto Eco Nordeste e a Rede Cajueira, a Articulação mobilizou comunicadores populares e jornalistas para uma roda de diálogo.

O evento online ocorreu na terça-feira (04/08), teve mais de 270 pessoas inscritas e uma ativa participação ao vivo. Foi um momento de resgate da história do Semiárido brasileiro e da própria ASA com a COP da UNCCD, propiciando informações relevantes para a cobertura do tema da desertificação a quem participava. A partir da roda, a ASA produziu o relatório “Comunicação como estratégia de combate à desertificação – Contribuição da Articulação Semiárido Brasileiro à delegação brasileira na COP17 da UNCCD”. O objetivo é incidir com o documento no âmbito da conferência e, com isso, ampliar debates e ações a respeito do assunto.

Acesse o relatório na íntegra:

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