Nelzilane Oliveira/AP1MC e Dani Guerra/ESPLAR
Protagonismo de mulheres impulsiona a 20ª edição da Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária em Crateús
O evento mobiliza 300 feirantes, com mulheres ocupando 80% das bancas.
Os territórios do Sertão dos Inhamuns e Crateús vivem um momento importante de mobilização e celebração. A 20ª edição da Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária transforma a cidade de Crateús em um centro de encontros, reunindo uma programação diversificada, além da comercialização. A iniciativa, organizada pelo Centro Vocacional Tecnológico (CVT) com apoio da Rede Cáritas, articula cerca de 300 feirantes de vários municípios da região.
O coordenador geral da feira, Adriano Leitão, da Cáritas Diocesana de Crateús, destaca o caráter estratégico da feira na geração de renda e fortalecimento das mulheres:
“Desde a escolha de participantes da feira temos o cuidado de selecionar a maioria de mulheres. Nesta edição, elas representam cerca de 80%, a fonte da informação é do registro das inscrições on-line”.
Ao longo da feira, a expressiva participação das mulheres chama atenção tanto nas bancas de produtos artesanais e alimentícios, quanto nas oficinas, espaços de formação e rodas de diálogo que integram a programação. O coordenador observa que os espaços formativos garantem que essas mulheres não apenas comercializem seus produtos, mas também se tornem agentes multiplicadoras em seus territórios. O entusiasmo é marca registrada das feirantes.
“Trago tudo do meu quintal, também faço meus artesanatos e faço com muita dedicação. Chegar aqui é um longo caminho que faço com alegria, de poder sair de casa e conhecer o mundo”, afirmou Maria Francisca, agricultora do município de Saboeiro.
Em cada banca, uma janela se abre: são histórias de vida e sabedoria popular. O registro fica na memória de quem passa por ali e pode ouvir e ver tantos depoimentos que reforçam que a convivência no Semiárido só é possível com ações que fortaleçam seus povos.
As barracas estavam repletas de cores, aromas e sabores — com uma diversidade de alimentos, temperos e comidas típicas que aquecem o corpo e a memória. O espaço da culinária viva oferece degustações e convivência, trazendo pratos preparados com carinho por quem planta, colhe e transforma com as próprias mãos.
A feira reafirma o papel estratégico da economia solidária como espaço de geração de renda, articulação territorial e valorização das mulheres como protagonistas da transformação social no Semiárido.


