1º dia do ETA é marcado por discussões sobre o papel da mulher no meio rural
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| Relações de gênero foi um dos temas discutidos pelos participantes do ETA | Foto: Joana Vidal |
Foi com alegria e trabalho que o primeiro dia (09) do VI Encontro Territorial de Agroecologia começou. Antes das 7 horas da manhã, agricultores e agricultoras da Rede de Agricultores/as Agroecológicos/as e Solidários/as do Território Vales do Curu e Aracatiaçu montavam suas barracas na Praça Perilo Teixeira, no centro de Itapipoca, no Ceará. Paralelamente, acontecia o credenciamento dos mais de 200 participantes do Encontro, entre trabalhadores e trabalhadoras rurais e técnicos das instituições, e o café-da-manhã na própria feira, tudo ao som do forró pé-de-serra.
Ainda em praça pública, o ETA deu suas boas vindas aos participantes, com Dona Rosinha, sanfoneira, cuja presença deu início à discussão de gênero que permeia todo o encontro. A mística de abertura, por sua vez, homenageou lutadoras históricas das causas sociais e do feminismo, como Maria da Penha, Irmã Dorothy Stang e a agricultora-poetisa Nazaré Flor, nascida em um dos assentamentos e militante do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais.
A mesa de abertura foi quase totalmente feminina e contou com a saudação de 12 diferentes representações e entidades. Depois, o encontro seguiu para o painel temático do Encontro: Vivendo Agroecologia e Construindo Relações Igualitárias de Gênero no Meio Rural, aberto com os relatos das experiências com agroecologia de três agricultoras: Zeza, Fafá e Alzirene. Cada uma contou como essa nova forma de cultivar transformou sua realidade para além da perspectiva produtiva, mas também da organização social da comunidade e em suas vidas pessoais.
Beth Ferreira, do Fórum Cearense de Mulheres, explicou que a divisão sexual do trabalho no meio rural aparece de forma extremamente intensa. Para ela, a agroecologia é também uma forma de trabalhar as relações entre as pessoas, e se relaciona com o feminismo, à medida que se passou a discutir a identidade da mulher trabalhadora rural, destacando que a produção permanente, que vai alimentar a família o ano todo, é feita pelas mulheres. “Jovens, e especialmente mulheres, tendem a deixar o campo se não forem construídas relações mais igualitárias”, conclui.
A tarde deste primeiro dia foi preenchida com os carrosséis de experiências, metodologia utilizada pela primeira vez em um ETA. Aqui, os participantes se dividiam e grupos e saiam trocando de espaço, de forma que o mesmo grupo passasse pela apresentação de diversas histórias. Os temas centrais foram tecnologias sociais, organização social em grupos, meio ambiente, financiamento agrícola, comercialização solidária e juventude, cada um com dois relatos de pessoas que trouxeram essas novas construções para suas vidas tanto no território, quanto no estado.
À noite os participantes assistiram à apresentação de um grupo de teatro de jovens do Assentamento Maceió. O VI Encontro Territorial de Agroecologia está sendo realizado até o dia 11, em Itapipoca, no Ceará.


