A agente da Caritas Diocesana de Araçuaí, Cléa Amorim, representou a ASA Minas na mesa de abertura do Seminário de Direitos e Cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Vale do Jequitinhonha. Cerca de 90 pessoas participaram do encontro que aconteceu nos dias 6 e 7 de novembro, na Câmara Municipal de Jequitinhonha, em Minas Gerais. O objetivo foi o de fomentar a organização e consolidação do movimento LGBT, com vistas a uma atuação politicamente relevante na luta por direitos e contra a homofobia.
Cléa, que também é membro do Grupo de Trabalho Estadual de Gênero da ASA, apresentou brevemente as linhas de atuação, programas e projeto da ASA Minas, contando a caminhada para reconhecimento da Articulação e incentivando a luta do grupo. “Acho importante ter vindo porque a ASA é uma representatividade da sociedade civil que tem diversidade de pessoas e quer propiciar a melhoria da qualidade de vida. E quem disse que as pessoas são felizes só com água e semente se não o são afetivamente?”, indaga. Para ela, quem se identifica como educador popular deve se aproximar de todas as pessoas.
Foram temas das mesas: “Direitos Humanos e Homofobia”, “História, Identidades e Saúde”, “Educação e Diversidade” e “Transexualidade e Educação”. Alguns dados trazidos nas palestras demonstram a situação na qual ainda vivem os grupos LGBT no Brasil e no mundo. Diariamente, dois homossexuais são assassinados no mundo. A cada dois dias, um homossexual é assassinado no Brasil.
Pesquisa realizada em 2005 mostra que 72,1% dos homossexuais já sofreram algum tipo de discriminação e 65,7% sofreram agressão verbal ou física. 27% dos entrevistados assumiram ser homofóbicos. A mesma pergunta feita com relação a racismo e preconceito contra idosos obteve um índice de 3%. Por tudo isso, a luta contra a discriminação deu o tom de todas as colocações.
Para a vice-presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Liliane Anderson, o objetivo maior do evento foi trazer a esfera do governo federal para conhecer a realidade dessas pessoas, ver as dificuldades que elas enfrentam e o alcance que tem. “É fazer também com que este público se afirme para estar presente em espaços de políticas públicas, como Conselho de Saúde e Educação, e não só no movimento cultural”, afirma.
O representante do grupo cultural Blayblaydys, Carlos Rodrigo Almeida, que é professor em Jequitinhonha, comemora a possibilidade de realização do evento e pontua as expectativas daqui pra frente. “Queremos agir, ampliar nossos direitos e discutir não só a questão da homossexualidade, mas o social, realizando eventos contra a discriminação de quem quer que seja”, espera.
O Seminário foi uma iniciativa do Blayblaydys em parceria com o Programa Pólo Jequitinhonha e o Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT(Nuh), ambos da UFMG, e apoio da Prefeitura de Jequitinhonha e da Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha (Fecaje).