Projeto AgrobioSA vai implantar agrocaatinga em assentamento no Piauí
Sistema agroflorestal será voltado à multiplicação de espécies nativas, produção de alimentos e geração de renda
Kleber Nunes/ASACom e Laudicéia Uchôa/Cerac
O Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido (AgrobioSA) segue avançando no estado do Piauí com ações de valorização das sementes crioulas e combate aos transgênicos. Dessa vez, famílias agricultoras do Assentamento Lagoa do Mato, em Milton Brandão (PI), participaram da primeira oficina para a estruturação de um sistema agroflorestal (SAF) voltado, sobretudo, à multiplicação de espécies nativas da região.
A implantação da agrocaatinga – como é chamado esse modelo de produção sustentável adaptada ao bioma – será acompanhada por técnicos do Centro Regional de Assessoria e Capacitação (Cerac) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Meio-Norte. As equipes, que são responsáveis pelo AgrobioSA no estado, estiveram no Assentamento Lagoa do Mato, no último dia 14.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio-Norte e coordenador do Projeto AgrobioSA no Piauí, Francisco Oliveira, o primeiro passo foi ouvir as agricultoras e os agricultores sobre estratégias para fortalecer a produção de alimentos e a geração de renda. O Assentamento Lagoa do Mato está localizado em uma área de 579 hectares e se destaca pela produção de hortaliças, verduras, milho, feijão e mel.
“Discutimos quais os anseios e as potencialidades da comunidade. Vamos analisar e retornar aqui com uma proposta de arranjo dos sistemas de produção agroflorestal. Também vamos realizar intercâmbios para que os agricultores conheçam outras experiências de SAF que estejam mais desenvolvidas”, explicou Oliveira.


Os SAFs integram árvores de pequeno, médio e grande portes de diversas culturas da agricultura familiar. Ao contrário da monocultura, nesse sistema as plantações são organizadas de forma estratégica, respeitando fatores como a incidência de luz, o espaçamento, o tipo de solo e o desenvolvimento de cada planta. A estratégia permite que haja produção durante todo o ano com ou sem irrigação.
“Nessa primeira oficina, discutimos os princípios do SAF para que as agricultoras, agricultores, jovens e idosos possam entender melhor o que é o sistema para que eles possam construir o deles aqui na comunidade de forma que possam sempre estar produzindo de forma sustentável e ecologicamente equilibrada”, afirmou o engenheiro agrônomo da Articulação em Rede Piauiense de Agroecologia (Arrepia), Kalil Luz.
A agricultora familiar e vice-presidente da Associação de Desenvolvimento Rural Lagoa do Mato, Cícera da Silva, acredita que essa iniciativa do AgrobioSA irá fortalecer os quintais produtivos, a casa de Sementes da Fartura e a produção de mel do assentamento.
Já para a agricultora e artesã Maria Auciliadora a expectativa é de que essa nova ação do projeto com a SAF fortaleça ainda mais o trabalho comunitário.
“É muito boa essa ideia de trabalharmos juntos em uma área, isso só aumenta nossa motivação. A troca de ideias fortalece o trabalho e traz resultados muito proveitosos”, avaliou.
O coordenador do Cerac, José Maria Saraiva, destacou a importância do AgrobioSA na integração entre o conhecimento popular e científico para o enfrentamento aos efeitos da emergência climática.
“É uma grande riqueza ver agricultoras e agricultores juntos com pesquisadores somando saberes. Acreditamos que o caminho é a a agricultura familiar de base agroecológica, de baixo impacto, que preserva a natureza e valoriza a sabedoria popular que alimenta gerações de sertanejos e sertanejas”, finalizou.
Sobre o Projeto AgrobioSA
O Projeto Agrobiodiversidade do Semiárido (AgrobioSA) faz parte do Programa de Apoio à Inovação Social e ao Desenvolvimento Territorial Sustentável (InovaSocial) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e é desenvolvido em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O AgrobioSA tem um investimento de R$ 3 milhões e beneficia diretamente quase 2 mil famílias agricultoras em Alagoas, na Bahia, Paraíba e no Piauí, incluindo assentados da reforma agrária, povos indígenas e comunidades quilombolas. A iniciativa é desenvolvida por meio de ações territoriais e regionais estruturadas em quatro eixos: gestão das redes; capacitação das equipes; estruturação, produção e beneficiamento de sementes; e comercialização.
Organizações da ASA que fazem parte do AgrobioSA
Alagoas
Associação de Agricultores Alternativos (Aagra)
Cooperativa de Pequenos Produtores Agrícolas dos Bancos Comunitários de Sementes (Coppabacs)
Bahia
Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (Arcas)
Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc)
Rede de Escolas Família Agrícola do Semiárido (Refaisa)
Paraíba
AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia
Piauí
Centro Regional de Assessoria e Capacitação (Cerac)


