Filme sobre semi-árido nordestino é destaque no Festival de Cinema e Vídeo Rural, no Meio-Oeste

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A vida do homem do campo e a rotina dos animais reinaram absolutas durante os quatro dias do 3º Festival Nacional de Cinema e Vídeo Rural de Piratuba, no Meio-Oeste catarinense, que encerrou no último sábado. A produção paulista Bode Rei, Cabra Rainha, de Helena Tassara, foi o grande destaque e levou três troféus.

O título — que venceu nas categorias Melhor Filme, Melhor Documentário e Melhor Trilha Sonora — foi filmado no Nordeste brasileiro, na região da caatinga, onde é costume dizer que não é o homem quem cria o bode, mas o bode quem cria o homem. Conforme a cineasta Helena Tessara, os sertanejos geralmente têm histórias de vida ligadas a estes animais.

De acordo com Helena, na época da produção, a equipe não percebeu que estava fazendo o retrato fiel do mundo rural. A ideia era contar a história do rebanho de cabras e bodes, que estaria invisível às estatísticas do país. Para a cineasta, os animais seriam os grandes responsáveis pela permanência do homem nordestino na região árida.

— O filme mostra a relação do homem com o animal, ambos resistentes à seca. Tudo está absolutamente embutido na cultura nordestina — frisa.

Essa vontade de retratar o cotidiano do país também despontou no documentário que venceu a categoria Melhor Produção Amadora, Legião de Pioneiros, 50 Anos de Soja. O filme reúne 19 depoimentos, que costuram a evolução do plantio do grão e da valorização econômica do cereal.

Trilha sonora de Bode Rei, Cabra Rainha também foi premiada:

Aumento no número de trabalhos inscritos

Além disso, também foram premiadas as melhores produções nas categorias Reportagem de TV, Melhor Foto Colorida e Melhor Preto e Branco. Nesta edição, estavam inscritos 145 vídeos e 85 fotografias. O número representa um grande avanço, já que no primeiro ano do festival, em 2007, foram inscritas apenas 35 produções audiovisuais.

Este sucesso significa a continuidade do evento. A edição do ano que vem já está garantida. Conforme Ivair Rodrigues, diretor do Festival de Piratuba, a ideia é ampliá-lo e continuar valorizando as raízes do campo.

Neste ano, por exemplo, as crianças de escolas municipais tiveram espaço para produção de pequenos vídeos sobre o tema. Os alunos vencedores de cada categoria levaram para casa um netbook. A organização também discute a possibilidade de ampliar o festival para cineastas de outros países.

Durante os quatro dias de festival, cerca de seis mil pessoas passaram pelo Centro de Eventos de Piratuba. Oficinas e palestras, como a do ator Jackson Antunes, foram as grandes atrações. Além disso, a feira para comercialização de produtos da agricultura familiar da região também agradou ao público. Artesanato feito com palha de milho, fibras de sisal, biscoitos, frios e flores eram alguns dos itens vendidos.

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