Fórum Cearense pela Vida no Semiárido realiza oficina de qualidade das implementações
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| Acolhimento da oficina | Foto: Fram Paulo / Arquivo: CDDH-AC |
Aconteceu nos dias 20 e 21 de junho, na cidade de Senador Pompeu, no Centro Sul cearense, oficina de qualidade das tecnologias sociais de captação de água da chuva para o consumo humano, cisternas de placas. O evento foi realizado pelo Fórum Cearense pela Vida no Semiárido (FCVSA) e contou com a participação de pedreiros, técnicos/as, coordenadores/as das instituições que executam o programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) no Ceará e representação da Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC).
Com o objetivo de aprimorar a qualidade na construção das cisternas de primeira água, o evento promoveu momento de visitas, conversas, trocas de experiências, reflexões, debates e uma carta de encaminhamentos para a padronização do material a ser utilizado na implementação das tecnologias.
Logo no início da oficina, depois de um acolhimento caloroso e apresentação, os/as participantes se deslocaram até as comunidades de Lindóia e Bonito, onde acompanharam de perto a alegria dos/as beneficiários das cisternas de placas de primeira água, como também, de cisterna-enxurrada, de segunda água, Maria Rivoneide Pereira Lima, Dayane Cristina Lima e Francisco Walder, respectivamente.
Ao retornarem para o local do encontro, todos/as foram convidados/as a partilharem os sentimentos, a partir das questões: o que meus olhos viram, o que os meus ouvidos escutaram e o que sentiu o meu coração.
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| Intercâmbio marcou um dos momentos do encontro | Foto: Fram Paulo/Arquivo CDDH-AC |
“Eu vi a beleza da produção ao redor das cisternas; o meu coração sentiu alegria pela partilha dos pedreiros; meu coração está feliz”, foram os sentimentos compartilhados por Angelita Maciel, conhecida como Nininha, da Cáritas Diocesana do Crato. Para Wollace Sindeaux, do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CDDH-AC), com as tecnologias sociais de captação de água, as famílias conquistaram autonomia. “O meu sentimento é de responsabilidade, compromisso e satisfação por perceber que essas tecnologias têm trazido benefícios para as famílias, não somente financeiros, mas também de liberdade”, disse. “O intercâmbio é um momento de trocas que a gente aprende, mas também ensina”, ressaltou Paulo Cesar, da Cáritas Diocesana de Itapipoca. “A gente percebe aí o resultado da articulação e mobilização”, finalizou Francisco Braz, técnico do Elo Amigo. Em relação ao material utilizado, Braz diz ser necessário o consenso.
Os pedreiros também compartilharam seus sentimentos, como também o modo de construção. Padronização do material; acesso ao espelho e consenso em relação ao modo de construção são estratégias apontadas pelos mesmos.
Após a partilha dos sentimentos, a assembleia foi dividida em três grupos, onde refletiram os pontos: o que é determinante para que a gente possa aperfeiçoar a qualidade das tecnologias e o que é consenso do FCVSA.
Boa atuação dos/as animadores/as para sensibilizar as famílias; qualidade da areia; conscientizar as famílias da contra partida; utilizar ferro no fundo da cisterna; utilizar o prumo; ter cuidado com os traços no momento da construção; fazer a base para fixar a bomba; não fixar o filtro para facilitar a limpeza ou substituição deste se for o caso; furar o cap; usar tela no sangradouro; sangradouro na altura da cinta; fazer reciclagem anual dos pedreiros; acompanhar o processo de construção; passar para as famílias o espelho de material e usar no fundo uma tela de arame galvanizado em vez do ferro, foram orientações dadas pelos grupos.
Rodrigo Lopes, da AP1MC, apresentou o espelho da ASA e disse que este pode ser modificado, desde que a Associação seja informada.
Cristiana, também da AP1MC, apresentou os componentes obrigatórios na construção das cisternas. De acordo com a assessora técnica, o desejo de fazer com qualidade deve estar focado na satisfação da família. “Não estamos aqui para iniciar o processo, mas para aprimorar, e dentro disso buscar qualificar as implementações”, acrescentou.
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| Auto de D. Caroba traz debate sobre voto consciente | Foto: Fram Paulo / Arquivo CDDH- AC |
O segundo dia da oficina de encontro, teve como mística de abertura a apresentação da peça teatral Auto de Dona Caroba, com a Cia. Engenheiros da Arte do Dist. Eng. José Lopes, Senador Pompeu. A peça apresenta ,de forma bem humorada, a história de Dona Caroba, uma liderança comunitária que é tentada a vender o voto em troca de abastecimento d’água para a comunidade. Por não aceitar a proposta de um político metido a esperto, ela é ameaçada de perseguição. Inconformada, vai buscar informação e prepara uma armadilha para desmoralizar o político desonesto. A peça faz parte da campanha Não Troque Seu Voto Por Água, uma iniciativa da Rede de Comunicação Popular do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido.
Ao final do encontro, os participantes analisaram os pontos apresentados pelos grupos e foi elaborado um documento que irá circular entre as entidades com determinações e recomendações para a construção das cisternas de placas para armazenamento d’água para consumo humano.




