Campanha Tenho Sede vai construir 51 novas cisternas no Semiárido e demarca legado de conscientização política em 2026

Embora o Programa Cisternas tenha sido retomado em 2023, a campanha permanece mobilizando a sociedade acerca da pauta do direito à água de qualidade

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Helena Dias/ASACom

Não faz muito tempo e com certeza você deve se lembrar: entre os anos de 2019 e 2022 o Programa Cisternas foi paralisado pela falta de investimentos durante o governo Bolsonaro. Foi no contexto de denúncia e resistência frente a esse desmonte que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) lançou, em 2021, a campanha Tenho Sede, para mobilizar apoios e recursos da sociedade civil na construção de cisternas de primeira água para famílias do Semiárido.

Era um momento de forte polarização política no Brasil, atravessado por uma pandemia e muitas dificuldades econômicas, principalmente com a alta da inflação – que chegou a 26,93% no período. As condições de vida no Semiárido precisavam de atenção redobrada. Diante desses desafios, as organizações que compõem a ASA viram a necessidade de aprofundar o diálogo com a sociedade sobre quem ainda tem sede no país.

Passados quase cinco anos, a campanha é marcada por um legado de conscientização política sobre o acesso à água no Semiárido e começa 2026 com a entrega 51 cisternas e a renovação da missão de pautar o Programa Cisternas como política pública de Estado e não de governo, em um ano de eleições presidenciais. Além de reivindicar também a consolidação de uma Política Nacional de Convivência com o Semiárido.

É por isso que embora o Programa Cisternas tenha sido retomado em 2023, a campanha Tenho Sede permanece mobilizando a sociedade acerca da pauta do direito à água de qualidade. “A campanha é muito estratégica no sentido de ampliar o debate da convivência com o Semiárido para além da ASA e do poder público. Estamos em um período em que o governo atual é empático ao Semiárido, mas a convivência não está dada, ela é uma conquista de passo a passo. E a gente precisa de cada vez mais pessoas pensando, lutando e querendo”, explica Naidison Baptista, coordenador executivo da ASA.

Ele lembra que o Brasil tem um governo de ampla coalizão: “Não estamos isentos de que grupos do ‘combate à seca’, presentes no governo, incidam com políticas que não são de convivência. Vivemos um jogo dialético que, para jogá-lo, precisamos de mais gente”, acrescenta. Por meio dos recursos arrecadados pela campanha Tenho Sede desde o seu lançamento, com apoios recorrentes e pontuais, a ASA já construiu 40 cisternas de primeira água no Semiárido.

Uma dessas cisternas é a de Fernanda Serafim de Oliveira, agricultora de Queimadas (PB). “Na minha rotina diária, sou eu que cuido da casa. Trabalho com agricultura e no meu dia a dia eu pegava água da cisterna da vizinha. A minha cisterna veio em boa hora, que muitas cisternas venham para ajudar a quem precisa”, conta.

Precisamos ampliar o grito de quem tem sede. Foto: João Gabriel Marins/ASA Brasil

Novas cisternas

As 51 novas cisternas já começaram a ser construídas e estão distribuídas entre os nove estados do Nordeste e o Norte de Minas Gerais, cada estado receberá cinco novas tecnologias, com exceção do Maranhão, que receberá seis. O prazo para a construção está previsto para o fim de fevereiro.

Algumas cisternas já foram entregues, como é o caso de Lidiane Veríssimo, do município de João Câmara(RN), a chegada da tecnologia é marcada também por formações sobre o direito à água e sobre a convivência com o Semiárido, como prevê o método da própria campanha. “Essa cisterna é um sonho realizado, a gente tem água para consumir e onde guardar. Serei grata à campanha Tenho Sede pelo resto da vida, eu conquistei e aprendi o valor da água e de conviver. O curso ajuda e também ensina”. Lidiane mora com o marido e três filhos no Assentamento Santa Terezinha, que é território indígena.

A assessoria às famílias agricultoras para a construção das novas cisternas está a cargo das organizações: Associação de Apoio às Comunidades do Campo (AACC-RN), Associação Comunitária da Escola Família Agrícola Rural de Correntina e Arredores (ACEFARCA-BA), Associação Mão no Arado (AMASE-SE), Associação dos Agricultores/as Agroecológicos de Bom Jardim (AGROFLOR-PE), Associação dos Apicultores do Sertão Paraibano (ASPA-PB), Associação Solidariedade Libertadora Área de Codó (ASSOLIB-MA), CACTUS (AL), Cáritas Diocesana de Bom Jesus do Gurgueia (PI), Cáritas Diocesana de Sobral (PI) e Centro de Agricultura Alernativa do Norte de Minas (CAA-NM). Todas fazem parte da ASA.

O valor atual de uma cisterna, contando com materiais e serviços, é cerca de R$ 7 mil, custo significativo que precisa de tempo para ser arrecadado. Isso implica diretamente no calendário da campanha Tenho Sede que presa por contemplar territórios de maneira justa e igualitária. Por isso, cada doação faz diferença.

“Para a política pública alcançar o objetivo de todas as pessoas do Semiárido viverem bem, vai demorar. Quanto tempo ainda vamos levar para que todas as famílias tenham cisternas de produção? Muito tempo. Se a gente convoca a sociedade para ampliar a política em termos de ações e investimentos, nós teremos mais famílias com boas condições de vida. Precisamos ampliar o grito de que tem sede”, afirma Naidison Baptista.

Para se tornar doador ou doadora da campanha Tenho Sede, acesse: https://www.tenhosede.org.br/

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