Coletivo Nordeste participa de encontro preparatório ao III ENA
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| Encontro reuniu representantes de mais de 30 entidades de seis estados do Nordeste | Foto: Gleiceani Nogueira/Asacom |
Representantes de movimentos, redes e entidades de seis estados do Nordeste participaram no dia 30 de abril, no Hotel Campestre, em Camaragibe-PE, do encontro preparatório ao III Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), previsto para abril/maio de 2014.
O evento foi coordenado pelas organizações Centro Sabiá e Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais (Sasop), que estão representando o Nordeste na coordenação nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). O objetivo foi mobilizar as organizações e movimentos da região – grupo que passou a ser chamado de Coletivo Nordeste – para o processo preparatório ao III ENA, iniciado em dezembro de 2012, em Luziânia-GO.
“Por que a agroecologia é uma alternativa para a sociedade? Esse é a pergunta que devemos responder nesse III ENA. Expressar para a sociedade as experiências agroecológicas, ampliar o olhar sobre elas e, acima de tudo, evidenciar as estratégias de resistência e enfrentamento aos grandes projetos”, disse Carlos Eduardo Leite (Caê), coordenador do Sasop, na abertura do encontro.
Ele também ressaltou a relação das experiências com as políticas públicas como um aspecto importante que deverá ser observado no processo preparatório. “Quais reforçam o agronegócio e quais contribuem com a agroecologia?”, provocou Caê. No debate, os participantes apontaram outros temas como financiamento, comercialização, biodiversidade e soberania e segurança alimentar e nutricional.
Os participantes também refletiram aspectos do atual contexto do Nordeste que dialogam diretamente com o objetivo do ENA, que é mostrar o contraponto entre as experiências de agroecologia e os grandes projetos ligados ao agronegócio. O público identificou várias obras em curso na região como a transposição do Rio São Francisco, a Transnordestina, a instalação de uma fábrica da Monsanto em Petrolina-PE e os perímetros irrigados de Juazeiro-BA. Ao mesmo tempo, a região abriga um número expressivo de experiências agroecológicas, que se mantêm sustentáveis mesmo diante da pior seca dos últimos 40 anos.
A comunicação também foi destaque no encontro. Ela terá um papel fundamental para visibilizar as experiências e levar a mensagem da agroecologia para a sociedade. Para além do instrumental, os participantes debateram a importância de trabalhar a comunicação enquanto estratégia política e de mobilização social.
O coordenador da ONG Centro Sabiá, Alexandre Henrique Pires, apontou a relação entre o rural e o urbano como um dos elementos centrais da agroecologia. “Uma das questões centrais do ENA é mostrar para a sociedade nacional e internacional como a agroecologia se coloca numa proposta de contraponto à agroindustrialização. Ao fazer isso, a gente fortalece a produção agroecológica e quebra com a imposição das indústrias agroalimentares que detêm toda a cadeia, desde a produção até a comercialização. Ou seja, a agroecologia é capaz de romper esse domínio e gerar processos mais diretos de consumo, através das feiras, das politicas públicas como PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] e PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar]”, explica Alexandre.
Ao final do evento foi montada uma agenda de atividades regionais, na qual o coletivo Nordeste deverá incorporar o debate político sobre a agroecologia e sobre a importância do III ENA. Entre os eventos previstos destacam-se o Seminário de Compras Públicas, organizado pelo MMTR Nordeste, que acontecerá em São Luiz-MA, no mês de junho, e o III Encontro Nacional de Agricultores e Agricultoras Experimentadoras, da ASA, que previsto para outubro, em Campina Grande (PB). A próxima reunião do coletivo Nordeste está prevista para ocorrer em setembro.
O Encontro contou com a presença das seguintes entidades: ANA, ASA, MOC, Patac, CPT, UFRPE/POSMEX, MPA, APAEB, Fase, MST-PE, Seapac, Reparte, Rede Xique-Xique, MMTR-NE, Serta, Caatinga, Centro Sabiá, ASCOOB, Cecor, RBJA, Sasop, Cetra, ASPTA, Elo Amigo, FJN-PE/MNU-PE/RBJA, Rede Pardal, Agroflor, MMM/CF8, Instituto Palmares, Chapada, Conaq e Instituto Palmares.
Caravanas – Uma das estratégias metodológicas de preparação do III ENA são as caravanas territoriais. A ideia é que os participantes conheçam experiências desenvolvidas nos territórios de todas as regiões do País e possam fazer uma leitura crítica da realidade, evidenciando as estratégias de luta em contraposição ao agronegócio.
Com o objetivo de vivenciar essa metodologia, a comissão organizadora do III ENA, participará de uma caravana organizada pelo Centro de Tecnologias Alternativas (CTA), que acontecerá de 22 a 25 de maio, na Zona da Mata mineira. A caravana passará por três municípios e reunirá lideranças e representantes de organizações de agricultores e agricultoras, profissionais das áreas de educação e saúde, militantes da segurança alimentar e nutricional e lideranças de movimentos sociais urbanos.
Na região Nordeste, a caravana será realizada na Chapada do Apodi, mas ainda não há data marcada. A escolha ocorreu durante o encontro preparatório e foi unânime. A Chapada do Apodi está localizada em dois estados do Nordeste: Rio Grande do Norte e Ceará. De um lado é possível conhecer os problemas ocasionados com a implantação dos perímetros irrigados como a contaminação dos mananciais, a proliferação de doenças causadas pela grande quantidade de agrotóxicos e empobrecimento do solo. Do outro lado, as ações agroecológicas que aliam desenvolvimento sustentável com preservação ambiental.


