Carta da CPT/CE sobre as tecnologias de convivência com o Semiárido

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A Comissão Pastoral da Terra do Ceará, reunida no dia 23 de fevereiro de 2012 em Fortaleza, num Seminário sobre as tecnologias sociais de convivência com o Semiárido, vem a público manifestar sua posição diante da necessidade e importância das ações de convivência com este clima.

O semiárido não é somente um clima, mas um povo, com culturas diversas, que busca viver de forma harmoniosa com a natureza. Há, no entanto, problemas históricos que ameaçam a qualidade de vida das populações do semiárido, como a concentração da Terra e das águas, respaldados por políticas que privilegiam as grandes corporações e empresas privadas.

Uma experiência bem sucedida da sociedade civil organizada é a Articulação do Semiárido (ASA), que desenvolve, junto às comunidades camponesas, as ações do P1MC e P1+2 com uma metodologia participativa, integrada com as pessoas e o seu meio e, através dos Fóruns Estaduais e Microrregionais, compromete-se com o debate sobre um projeto sustentável para o semiárido e a implementação de ações que favoreçam a concretização deste projeto.

A tentativa recente do Governo de negar todas estas conquistas nesse processo participativo de convivência, onde o MDS decidiu romper a parceria com a ASA, suscitou forte reação das entidades da ASA, dos beneficiários e parceiros. A ASA, da qual a CPT faz parte, se configura como uma Articulação do Semiárido e não de um Estado ou outro de forma isolada. A grande mobilização ocorrida no dia 20 de dezembro de 2011 em Petrolina – PE, com 15 mil pessoas, reafirmou a importância dessas alternativas e a capacidade de mobilização das entidades que compõem a ASA Brasil, pressionando o Governo Federal / MDS que mantivesse a parceria. Deu certo!

Contudo, um outro projeto ameaça nosso semiárido: a implantação das cisternas de plástico/PVC. Estas cisternas, além de impactos ambientais e para a saúde, custam o dobro das cisternas de placas, comprometendo o processo pedagógico até aqui construído pela ASA. Reafirmamos a importância das alternativas de convivência, mas repudiamos também aquelas que, mascaradas de benefícios, fazem parte de planos de empresas e governos para lucrarem ainda mais em cima das necessidades do povo, sendo uma forma de trazer de volta a lucrativa “indústria da seca”.

A CPT, através do presente documento, reafirma seu compromisso com as lutas em defesa do acesso à Terra e à água de qualidade, onde as populações camponesas possam ter assegurado seu protagonismo, fortalecendo e implementando projetos que gerem soberania e sustentabilidade para as famílias camponesas.

Fortaleza, 23 de fevereiro de 2012
Comissão Pastoral da Terra do Ceará

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