Kleber Nunes - ASACom
Com apoio da ASA, Missão Josué de Castro garante mais de R$ 7 mi para iniciar transição de sistemas alimentares
A ASA participou da assinatura do contrato da primeira fase da Missão Josué de Castro, durante a COP30, em Belém (PA)
A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) participou nesta quinta-feira (13) da assinatura do contrato da primeira fase da Missão Josué de Castro. O ato realizado no Espaço Chico Mendes, durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), marca o início das ações do programa que tem como objetivo retirar 5 milhões de brasileiras e brasileiros do Mapa da Fome.
Intitulada de “Projetos Sementes”, esta primeira fase receberá um investimento de cerca de R$ 7,5 milhões da Fundação Banco do Brasil. Segundo o membro da coordenação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) Marcelo Leal, as ações iniciais serão focadas no mapeamento de organizações, formação e no desenvolvimento de rotas territoriais de comercialização de alimentos agroecológicos.
“Em outra frente [o Projeto Sementes] propiciará formar uma organicidade ativa do conjunto das organizações e projetar para a sociedade o direito à alimentação e à comida de verdade, como agenda estratégica para superar as desigualdades sociais e solução para os problemas climáticos”, explicou Leal.
Organização da sociedade civil
Ao lado de membros de movimentos sociais do campo e da cidade, de representantes das entidades parceiras e do governo federal, a ASA celebrou a assinatura do contrato e o avanço da Missão Josué de Castro. A iniciativa vem sendo construída há quase dois anos e é inspirada nas ações de convivência com o Semiárido desenvolvidas pelas mais de 3 mil organizações sociais da rede, em especial, o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).

Representando a ASA na solenidade, o coordenador do P1MC, Rafael Neves, lembrou que há 25 anos os integrantes da articulação eram chamados de “loucos” por lutar pela implementação de 1 milhão de cisternas. Atualmente, são 1,3 milhão de famílias rurais com acesso à água graças ao modelo democrático de segurança hídrica reconhecido mundialmente.
“É essa loucura de entender que a sociedade civil é sim capaz de propor soluções reais. O governo brasileiro reconheceu essa proposta da sociedade civil como política pública, é o Programa Cisternas. E nesse caminho a gente vai seguindo, construindo os programas com vários parceiros. Nós sempre estivemos aqui e sempre estaremos para enfrentar a fome e a sede com aquilo que sabemos fazer que é mobilizar, capacitar, implementar e fazer controle social para que a gente consiga mudar esse quadro de realidade para um país imenso como esse não padeça de fome”, afirmou Neves.
A solenidade também reuniu o coordenador executivo da ASA, Luis Eduardo Sobral e a assessora estadual da ASA Sergipe, Sirley Ferreira. Pela Fundação Banco do Brasil participou o presidente, Kleytton Morais, e do governo federal, estiveram presentes o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, e a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Lilian Rahal.
“O Josué de Castro dizia que a fome é um tema político. Não é da natureza, é da desigualdade. Quem vai matar fome é a nossa ação política. O nosso ministério está aqui na COP apresentando o programa de florestas produtivas, áreas degradadas que agora podem ser recuperadas. O objetivo é recuperar as áreas e dar resultado econômico para quem vive na floresta”, enfatizou o ministro.

Sobre a Missão Josué de Castro
Lançada em março de 2024 no Senado Federal, a Missão Josué de Castro é um programa encabeçado pela ASA, MPA, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Federação Única dos Petroleiros, Unisol Brasil e mais 13 organizações da sociedade civil organizada.
A iniciativa propõe uma alternativa ao modelo hegemônico de produção de alimentos estabelecido pelo monocultivo, pela perda da diversidade, na centralização da posse da terra e no suprimento do mercado internacional.
A Missão Josué de Castro propõe trabalhar a “afirmação dos povos do campo, das águas e das florestas”; buscar a “unidade da luta por terra e território”; encarar as mudanças climáticas como elemento transversal e impactante em todos os setores e, promover a “cooperação e formas associativas”.
Na base do programa estão a “indissociabilidade entre agroecologia e o abastecimento popular de alimentos”; o “fortalecimento da economia feminista e de uma nova geração camponesa”; a “economia da sociobiodiversidade e antirracista” na alimentação atrelada e saúde pública; e a “articulação e tentensionamento com os setores de energia e mineral”.


