Kleber Nunes | ASACom
ASA e Fundação BB celebram parceria que transformou a vida de 1,4 mil famílias do Semiárido
Representantes das entidades envolvidas avaliaram o processo de execução que inovou unindo a cisterna para a produção com o Fomento Rural

É na zona rural de Monte Santo (BA) que o agricultor João Cristino de Jesus, 68 anos, vive o sonho de produzir na própria terra. O trabalho que começou há quatro anos com uma plantação de milho, hoje rende uma variedade de alimentos como couve, goiaba, batata doce, feijão e seriguela.
A cerca de 400 quilômetros de distância do município baiano, em Manari (PE), a confeiteira Marinalda de Brito Limeira, 43 anos, começou a produzir bolos e salgados a partir de ingredientes da agricultura familiar. Alguns desses itens, inclusive, são cultivados no quintal da sua própria casa.
João e Marinalda não se conhecem, mas, além de protagonizarem experiências bem-sucedidas de convivência com o Semiárido, ambos têm em comum a cisterna-calçadão com capacidade para armazenar 52 mil litros de água para produção. Junto com a tecnologia, os agricultores também receberam, cada um, o Fomento Rural de R$ 4,6 mil e investiram na ampliação dos seus projetos produtivos.
Tanto o reservatório quanto o recurso financeiro fazem parte do conjunto de benefícios garantidos pelo Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). A iniciativa, que integra o Programa Cisternas do governo federal, chegou às famílias de João e Marinalda por ação da parceria entre as organizações da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), a Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“A captação da água junto com outra política pública de incentivo, assistência técnica e investimentos para a produção agroecológica são muito importantes para a alimentação e geração de renda para a família. Considero que são políticas públicas de justiça social que servem de exemplo para todos os semiáridos do planeta”, afirma o assessor de parcerias estratégicas da Fundação BB, Marco Lemos.
Com apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), esse termo de cooperação foi resultado da reformulação de dois acordos com a AP1MC, entidade que faz a gestão dos programas da ASA, homologados pela Justiça em julho de 2023. O aditivo garantiu ao Governo Lula recuperar R$ 56 milhões que seriam perdidos por problemas de gestão relacionados ao governo anterior.

Avaliação
Nos dias 19 e 20 de agosto, representantes legais e técnicos das dez entidades executoras se reuniram em Gravatá (PE) para avaliar o programa que chega à reta final com um saldo de 1.400 famílias agricultoras beneficiadas no interior do Nordeste e no norte de Minas Gerais.
Ao longo de quase dois anos, foram realizados diversos encontros de formação, como o curso de Gestão de Água para Produção de Alimentos (Gapa), intercâmbios entre famílias agricultoras, ações de assistência técnica rural e sistematizações de experiências de convivência com o Semiárido. Esse trabalho se soma a outras ações do governo brasileiro que contribuíram para a retirada do país do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU).
“Esse projeto teve o Fomento Rural como inovação e trouxe o desafio de juntar duas políticas públicas para beneficiar famílias agricultoras dos municípios com menores IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] dos seus respectivos estados. Então, é preciso reconhecer que esse programa é muito potente para a segurança e soberania alimentar e nutricional e que ele tem um caminho que estamos constantemente construindo”, analisa o coordenador do P1+2, Antônio Barbosa.
Na avaliação de Lemos, é notório que desde o início todos os envolvidos estão comprometidos em entregar além dos números e se preocupam em fazer bem feito o que não se resume à construção de uma cisterna. O assessor destacou todo o processo de formação político-social das famílias como um dos motivos que fazem com que o programa chegue ao fim com motivos para celebrar.
“É importante ressaltar o papel da ASA e sua capilaridade que conseguiu propiciar uma boa execução deste programa. Por conseguir mobilizar essas famílias para se reunirem, trocar experiências e compartilhar com a gente como fazer cada vez melhor a execução dessas políticas públicas”, pontua Lemos.

