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15.02.2017 PI
ASA Piauí elabora prioridades de ação para 2017

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Por Neto Santos - comunicador FPCASA

Forum Piauiense avalia atividades de 2016 e se planeja para fortalecer o trabalho neste ano | Foto: FPCSA

Durante dois dias, na cidade de São Raimundo Nonato, localizada a 500 km da capital do Piauí, o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido – FPCSA, que também é chamado ASA Piauí, fez sua avaliação do ano de 2016 e elaborou metas para 2017. O evento contou com 14 das 16 organizações integrantes do coletivo que trabalha ações de convivência com o Semiárido Piauiense. O encontro teve uma riqueza de debate muito forte do ponto de vista representatividade, pois teve a oportunidade de reunir representantes legais das organizações, técnicos/as, comunicadores/as populares e aquelas/as que fazem a transformação no Semiárido acontecer e a segurança alimentar se espalhar que são os agricultores e agricultoras.

O encontro de avaliação e planejamento ocorreu nos dias 09 e 10 de fevereiro reunindo quase 50 pessoas que integram as organizações de diferentes regiões do Piauí. O primeiro dia foi reservado para avaliar a execução e alcance das metas planejadas para o ano anterior. Da avaliação se fez o debate de quais dessas ações precisariam continuar na pauta de luta do Piauí para 2017. Foi a partir deste debate, que a ASA Piauí entendeu que quatro eixos centrais ainda precisam ser bandeiras de lutas, pois apesar de algumas conquistas, outros desafios permanecem presentes como, por exemplo, a segurança hídrica em tempos de estiagem e o enfrentamento aos grandes projetos que mutilam a vida de várias famílias no Semiárido.

Durante o encontro de avaliação refletiu-se que algumas das prioridades de 2016 tiveram bons avanços, como o tema Sementes da Fartura do Piauí. Foi discutido ainda, que outras ações pouco avançaram a exemplo do plano de diálogo com alguns órgãos do Governo do Piauí na busca de parcerias para o Semiárido Piauiense. “Quando os problemas se tornam absurdos os desafios se tornam apaixonantes”, pensamento de Dom Helder Câmara lembrado pelo Coordenador do FPCSA Carlos Humberto Campos. Dona Francisca Maria, agricultora do município de Picos e guardiã das sementes da fartura também citou o pensamento de uma das matriarcas da sua comunidade que dizia: “O trabalho pode até ser amargo, mas o fruto é doce”.

Na parte de planejamento das ações para 2017, os participantes elaboraram quatro eixos centrais, temas inclusive já trabalhados em 2016, mas que segundo o coletivo precisam ter continuidade em 2017, conforme segue abaixo:

Gestão e Formação do Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido

O grupo entendeu que as reuniões ampliadas realizadas a cada mês com a presença das organizações, momento em que também são planejados os eventos importantes do Fórum, vão continuar na mesma metodologia, por ter alcançados bons resultados.

Formação e luta pela comunicação popular como direito

O direito a comunicação popular no Semiárido será pautada no Piauí em 2017, através da ASA Piauí, e terá ações voltadas para a realização de três oficinas de formação e práticas em rádios comunitárias, também a produção de spots e programas radiofônicos trazendo como foco os temas elaborados como bandeira de lutas para 2017.

Sementes da Fartura do Piauí

O tema foi avaliado de forma positiva por trazer boas conquistas no ano que passou, a exemplo da realização do II Festival das Sementes da Fartura do Piauí, evento a nível estadual realizado nos dias 28 e 29 de julho na cidade de Picos. O Festival contou com a participação de mais de 500 agricultores/as. Outra ação positiva foi a execução do projeto de fortalecimento das sementes da fartura com quase 800 quilos comercializadas das casas de sementes e distribuídas a outras famílias no Estado. Os participantes colocaram na meta para 2017, a criação da Rede de Sementes do Piauí, além da realização do III Festival das Sementes da Fartura agendado para julho deste ano.

Luta por Água e Terras do Piauí

A luta por água e terra foi trabalhada em 2016 e ganha força com a necessidade de continuar em 2017. O Fórum esteve presente em atos públicos como as manifestações nas ruas de Teresina em defesa das famílias vítimas da Barragem de Algodões, o apoio e articulação no Seminário MATOPIBA realizado em Bom Jesus, além de parcerias em outros espaços e movimentos em defesa das terras, água e povos do Piauí.

A ASA Piauí avaliou que a ação precisa continuar firme em 2017, pois os grandes projetos continuam em plena expansão no Estado, gerando muitas mortes na biodiversidade da Caatinga e do Cerrado, como também expulsam famílias de suas terras.  A meta é estar presente nos espaços de luta em defesa das famílias vítimas dos grandes projetos.

Quanto à segurança hídrica ficou encaminhado a busca por mais tecnologias sociais para o Estado e também ficou agendado a realização do seminário estadual de mudanças climáticas, evento que terá como objetivo entender as mudanças climáticas no Semiárido a partir da visão das agencias de meteorologia do Fórum Nacional de Mudanças Climáticas e toda a sabedoria popular dos Profetas das Chuvas do Piauí.

Com estas quatro prioridades planejadas para 2017 o Fórum Piauiense de Convivência com o Semiárido - FPCSA tem a expectativa de avançar nas conquistas por políticas públicas, realizar grandes e importantes momentos de debates e conquistas durante o ano nas áreas das Sementes da Fartura, a Comunicação Popular como direito e a luta por água e terras no Piauí.