Agroecologia
29.11.2016 PB
O fortalecimento dos Bancos de Sementes combate o avanço de transgênicos no Território da Borborema

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Por ASA Paraíba

Avanço do milho transgênico no Território do Polo da Borborema tem preocupado agricultores, lideranças e assessoria| Foto: AS-PTA

O avanço do milho transgênico no Território do Polo da Borborema tem preocupado agricultores, lideranças e assessoria. A fim de barrar esse avanço, Sindicatos, Polo da Borborema e a AS-PTA têm se mobilizado por meio de reuniões comunitárias, municipais e territoriais, realizadas desde o mês de setembro, para debater com os agricultores a agricultoras, questões como o quê são transgênicos e as melhores estratégias para combatê-los.

Nos últimos meses, no Assentamento Queimadas em Remígio-PB, cinco campos de milho foram identificados com sementes contaminadas por transgênicos. Uma das principais causas dessa contaminação foi a aquisição e o plantio de sementes de milho de origem desconhecida, resultado direto dos cinco anos consecutivos de estiagem e a consequente perda dos estoques familiares. Algumas famílias agricultoras foram obrigadas a comprar sementes de milho nas feiras livres ou em lojas agropecuárias da região. Por esse motivo, na última sexta-feira (18/11), agricultores do assentamento se reuniram para fazer novos testes de transgenia e traçar estratégias coletivas para proteger as sementes da paixão da contaminação pelos transgênicos.

Durante o encontro, técnicos da AS-PTA e lideranças do Sindicato conversaram com os agricultores retirando dúvidas, explicando e tentando identificar as formas como as plantas foram contaminadas. Com sua polinização aberta, as sementes de milho são mais facilmente contaminadas pela troca de pólen com campos de milho vizinhos. Com uma semente sem que se tenha conhecimento de sua origem, um só campo de sementes transgênicas, pode contaminar todos os outros ao seu redor. “Mas se todo mundo se unir, a gente tem como sair dessa”, afirma com convicção seu Zé Sinésio, morador do Assentamento Queimadas. A união de todas as famílias da comunidade em torno da questão é o primeiro passo para o enfrentamento.

Foi apresentado ainda, o vídeo “Não Planto Transgênicos para Não Apagar a Minha História” que traz depoimentos de vários guardiões e guardiãs falando sobre o amor por suas sementes e suas estratégias para conservação das mesmas. O material faz parte da campanha de mesmo nome, lançada no Território do Polo da Borborema no mês de julho desse ano.

Também foram feitos novos testes de transgenia em sementes levadas pelos agricultores do Assentamento. Dos seis materiais analisados, quatro foram identificadas contendo proteínas transgênicas. E duas variedades levadas por Seu Zé Sinésio, que diz com orgulho conservar as sementes por mais de 24 anos, foram identificadas como livres de transgênicos. Seu Zé explicou que costuma plantar o campo de milho numa área isolada, justamente para evitar o cruzamento.

Uma das saídas encontradas na reunião, a fim de conservar as sementes que permanecem livres da contaminação por transgênicos, foi de implementar campos de multiplicação de milho da paixão nos roçados mais isolados com mata e contra a direção natural do vento. Os agricultores Zé de Sinézio e Zé Amaral já disponibilizaram suas áreas de roçado. Além disso, foi definido que será organizado um banco de sementes para garantir o armazenamento e resgate de sementes da paixão no Assentamento. Com apoio do Projeto Ecoforte, as famílias do Assentamento irão receber os equipamentos para ampliação da capacidade de estocagem e organização do banco de sementes e também algumas variedades de sementes para formação de mais um Banco de Sementes, renovando a história e sobretudo a liberdade desses agricultores para que não se perca junto a suas sementes.