IX EnconASA

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28.11.2016
IX EnconASA e as reflexões sobre a conjuntura política do país

Durante o IX EnconASA, que foi realizado entre os dias 21 e 25 deste mês, na cidade de Mossoró (RN), agricultores/as, técnicos/as, comunicadores/as e convidados/as tiveram a oportunidade de discutir a atual conjuntura política do país em vários momentos do evento. O ponto alto de todas essas reflexões ocorreu durante o ato público, realizado na última quinta-feira (24), quando os participantes do encontro ocuparam as ruas para expressarem a insatisfação e alertarem sobre os perigos que o atual governo pode representar para o povo brasileiro através do desmonte de muitas conquistas sociais.

Cortes de direitos trabalhistas, reforma do Ensino Médio e os congelamentos nos investimentos públicos de educação e saúde, por exemplo, são medidas rejeitadas pelos vários povos, vindos de diferentes territórios da região Nordeste e do estado de Minas Gerais, que, juntos, integram o Semiárido brasileiro. De acordo com a estudante paraibana Mônica Cabral (18), o país enfrenta mais um golpe histórico. “Estamos vivendo um novo tipo de ditadura, não aquela que ocorreu há décadas, mas agora sob um novo perfil, mais silencioso e articulado, que está roubando os direitos de muitos brasileiros e brasileiras”, afirmou.

Assim como os jovens que têm assumido essa luta e protagonizado várias ocupações de instituições de ensino, muitas mulheres também resistem a tudo aquilo que está sendo imposto, como é o caso da agricultora Taíná Galisa (19), que mora na comunidade Serrinha (BA). “Assim como a política para os jovens continua frágil, a situação das mulheres ainda é muito delicada, porque elas ainda continuam sofrendo repressões e eu posso afirmar isso por conhecimento de causa, pois sou mulher, sou jovem, sou negra e sou agricultora. Muitas coisas eu já consegui conquistar e me empoderar, mas há muito ainda para ser feito e o atual contexto nos mostra o contrário, ele nos apresenta um caminho de retrocesso”, destacou.

A conjuntura política atual reforça a luta por direitos | Foto: Mailson Pedro

Para o técnico de campo Jheysonn Bradley (25), que mora no município de São Bento do Uma (PE), o momento é bastante crítico. “O governo, que deveria trabalhar para o povo, está a favor de um grupo, trabalhando a serviço de uma minoria. Os golpistas defendem um rumo para o Brasil que não vai favorecer o pobre, o agricultor, o jovem e tantos outros brasileiros. A PEC 55 representa essa imposição desse governo. Anteriormente, vivemos a experiência de ter uma gestão que trabalhava por nós, o povo, mas o que podemos ver agora representa o fim de todas essas conquistas alcançadas, inclusive o comprometimento da Constituição Federal de 1988”, argumentou.

Embora o cenário apresentado seja preocupante, a postura assumida a partir de todas essas discussões é unanimidade nas falas de todos e todas: a formação política. “É preciso fazer um trabalho de base com as pessoas, para que elas aumentem uma maior conscientização política e social sobre os assuntos que envolvem cada um e cada uma. Não queremos que as pessoas aprendam apenas a ler ou escrever, mas também a pensar. Vai ser preciso irmos para a rua derramar suor, mas se não derramar sangue a gente não vai conseguir, não. Se for preciso lutar, eu estou disposta a derramar suor e sangue por mim e pelo povo”, finalizou Mônica.

Ainda de acordo com Tainá, além da formação, o posicionamento de cada pessoa soma-se ainda nesse processo de reconquista de direitos. “O caminho para reverter essa situação é a resistência e o povo do Semiárido sabe o que é isso, pois é muito guerreiro. As famílias que vivem no Semiárido resistem a um dos climas mais difíceis que existem, que é a seca, mas mesmo assim a gente convive, porque aprendemos a superar as dificuldades. Então, no meu ponto de vista, esse momento político é só mais um obstáculo que, eu tenho certeza, vamos vencer”, concluiu.

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